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Brasil

Ações da Polícia Militar em SP geram debate sobre letalidade e preparo

Casos recentes envolvendo mortes por disparos de policiais reacendem discussões sobre protocolos de abordagem e o atendimento a pessoas em crise.

Por 3 min de leitura

Ações da Polícia Militar em SP geram debate sobre letalidade e preparo
Ações da Polícia Militar em SP geram debate sobre letalidade e preparo

Duas ações recentes da Polícia Militar de São Paulo que resultaram na morte de homens em situação de surto ou transtornos mentais reacenderam o debate nacional sobre o uso da força policial e o preparo dos agentes para lidar com crises emocionais. Em um intervalo de apenas sete dias, policiais militares efetuaram um total de 69 disparos em duas ocorrências distintas na capital paulista, levantando questionamentos entre especialistas em segurança pública sobre a aderência aos protocolos vigentes.

O primeiro caso ocorreu em 3 de outubro na Vila Dionísia, Zona Norte da capital, onde Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi baleado e morto após os agentes efetuarem 24 disparos. Segundo o registro da ocorrência, o homem portava uma faca e uma barra de ferro e ameaçava pedestres, e o uso prévio de uma arma de choque não foi suficiente para contê-lo.

Apenas uma semana depois, em 10 de outubro, uma nova ocorrência em Moema, na Zona Sul, terminou com a morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos. Quatro policiais efetuaram 45 tiros após o jovem apontar um objeto em direção à equipe em um local escuro. Imagens de câmeras de segurança registraram a ação, e o boletim de ocorrência apontou que o corpo apresentava dezenas de perfurações.

Especialistas em segurança pública apontam que a quantidade elevada de disparos contrasta com as orientações do Método Giraldi, programa de treinamento em tiro defensivo adotado pela Polícia Militar paulista. O material instrui que o tiro deve ser a última alternativa e que, quando necessário, os agentes devem priorizar sequências de dois disparos rápidos, visando a imobilização e a preservação da vida.

O coronel da reserva da PM e ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho, classificou as reações como destemperadas e destacou que a corporação deve realizar uma revisão urgente de seus procedimentos operacionais para garantir respostas técnicas e proporcionais a ameaças iminentes.

Por sua vez, Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getulio Vargas e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ressaltou que a alta volumetria de tiros evidencia a necessidade de investigações profundas conduzidas pela Polícia Civil para apurar se houve excessos ou legítima defesa por parte dos policiais envolvidos.

Entidades de direitos humanos e especialistas em políticas públicas também chamam a atenção para a urgência de integrar profissionais de saúde mental às abordagens policiais. Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, argumenta que situações envolvendo transtornos psiquiátricos não devem ser tratadas exclusivamente como ocorrências policiais, defendendo a adoção de modelos que priorizem o suporte médico e evitem desfechos letais.

Fontes consultadas

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