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Ciência

Arqueólogos encontram na Turquia o que pode ser o naufrágio mais antigo do mundo

Peças de uma embarcação com mais de 4 mil anos foram localizadas a 30 metros de profundidade na costa turca.

Por 2 min de leitura

Arqueólogos encontram na Turquia o que pode ser o naufrágio mais antigo do mundo
Arqueólogos encontram na Turquia o que pode ser o naufrágio mais antigo do mundo

Pesquisadores encontraram artefatos de um navio com aproximadamente 10 metros de comprimento próximo à Ilha de Kekova, na costa da Turquia, em uma descoberta que especialistas apontam como o naufrágio mais antigo do mundo. Embora a madeira do casco não tenha resistido ao tempo, diversas peças foram localizadas espalhadas em uma encosta submersa a cerca de 30 metros de profundidade.

O ministro da Cultura da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, anunciou que a escavação subaquática revelou jarros de armazenamento de cerâmica datados de 4.700 anos, pertencentes à Idade do Bronze Inicial. A análise da argila indicou que os recipientes foram fabricados em oficinas no Vale do Jordão, com estilos semelhantes aos encontrados no Egito, na própria Turquia e na Grécia, ilustrando rotas marítimas extensas.

Hakan Öniz, professor da Universidade Akdeniz e líder da expedição arqueológica, explicou que a ausência de vestígios do casco impediu o uso da técnica de datação por radiocarbono. Por essa razão, a equipe precisou analisar cuidadosamente o formato das ânforas, que possuem duas alças, saliência central e base plana, correspondendo a peças já datadas entre 4.400 e 4.700 anos.

Com essa descoberta, o sítio arqueológico em Kekova passa a ocupar o primeiro lugar na lista de naufrágios mais antigos do planeta. O recorde anterior pertencia a um naufrágio localizado perto da ilha de Dokos, no sul da Grécia, datado de aproximadamente 4.200 anos. O material resgatado também surpreendeu os cientistas devido à quantidade de resíduos preservados em seu interior.

A arqueóloga Karin Sowada, da Universidade Macquarie, na Austrália, relatou a surpresa ao examinar o interior dos recipientes e encontrar uma grande quantidade de resíduos, que podem incluir azeite de oliva, vinho ou resinas vegetais. Os especialistas ressaltam, no entanto, que o material pode ser fruto da reutilização prolongada das ânforas pelas civilizações da Antiguidade.

Os arqueólogos acreditam que a embarcação partiu da costa oriental do Mediterrâneo com destino à antiga cidade de Troia ou à ilha de Creta. A região de Kekova era conhecida por seus perigos devido aos ventos fortes e correntes intensas, fatores que provocaram centenas de naufrágios ao longo da história.

De acordo com o governo turco, os artefatos resgatados serão exibidos no Museu Mediterrâneo de Arqueologia Subaquática, localizado em Antália, cuja inauguração deve ocorrer nos próximos meses. A descoberta fornece novas evidências sobre o comércio marítimo e o intercâmbio cultural no Mediterrâneo oriental durante o período antigo.

Fontes consultadas

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