Arquidiocese de Campo Grande abre inquérito para beatificação de padre italiano
Religioso João Crippa pode se tornar o primeiro santo de Mato Grosso do Sul após início oficial do processo de beatificação pela Igreja Católica.
A Arquidiocese de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, abriu na última terça-feira o inquérito diocesano da causa de beatificação do padre italiano João Crippa. A iniciativa pode tornar o missionário salesiano o primeiro santo da história do estado, caso o processo avance até as etapas finais de canonização.
Nascido na Itália e discípulo de São João Bosco, João Crippa integrou a Congregação Salesiana e atuou no Uruguai antes de desembarcar no então estado de Mato Grosso. Na capital sul-mato-grossense, o sacerdote desempenhou papel de destaque na fundação de iniciativas religiosas e educacionais, marcando profundamente o desenvolvimento local.
Entre as realizações históricas do religioso estão a criação da Paróquia São José e do Oratório São José, voltados para a evangelização e a formação da juventude. Crippa também mobilizou recursos para viabilizar a construção do Colégio Salesiano Dom Bosco e participou da fundação do Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora.
Além da atuação na educação e na religião, o sacerdote dedicou-se a ações de assistência a indígenas, pessoas em situação de vulnerabilidade e detentos. Na área da saúde, colaborou para estruturar a Santa Casa de Campo Grande como associação, o que o aproximou de figuras proeminentes da política regional na época.
O padre faleceu em 1941, no município de Três Lagoas, e seus restos mortais foram transferidos para Campo Grande dez anos depois, atendendo a pedidos da comunidade local. Atualmente, o túmulo do religioso está localizado no interior da Paróquia São José, na região central da capital, onde fiéis costumam deixar cartas com pedidos e relatos de graças.
Com a autorização da Santa Sé por meio do documento Nihil Obstat, o sacerdote recebeu o título de Servo de Deus. A fase atual da investigação eclesiástica consiste em reunir documentos sobre sua vida, virtudes e a reputação de santidade, além de examinar os relatos de graças atribuídas à sua intercessão.
Os trabalhos preparatórios para o inquérito duraram cerca de três anos e contaram com o auxílio do postulador italiano Paolo Vilotta, que também atuou na causa de canonização de Santa Dulce dos Pobres. Após a conclusão da etapa diocesana, a documentação será enviada ao Vaticano, onde a beatificação exigirá o reconhecimento de um milagre e a canonização, de um segundo.