Ata do Fed e juros nos EUA movimentam mercados globais
Investidores monitoram documento do Federal Reserve e o cenário externo nesta quarta-feira.
O mercado financeiro internacional e nacional volta suas atenções nesta quarta-feira para a divulgação da ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. O documento detalha a reunião realizada em 16 de setembro, ocasião em que o Fed elevou a taxa de juros básica em 0,25 ponto percentual, fixando-a na faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano, sob a liderança do presidente Kevin Warsh.
A decisão de setembro marcou a primeira alta nos juros norte-americanos desde julho de 2023 e ocorreu de forma unânime entre os dirigentes da autoridade monetária. No comunicado da época, o comitê removeu menções a choques de oferta de energia e indicou a busca por um retorno mais célere da inflação à meta oficial de 2%. Além disso, a mediana das projeções para os juros no fechamento de 2026 subiu para 4,1%, o que sinaliza a possibilidade de pelo menos mais um reajuste até o final deste ano.
No cenário externo, o ambiente permanece sensível devido a fatores geopolíticos e econômicos. Ataques atribuídos ao Irã no Estreito de Hormuz geraram apreensão sobre o fluxo de embarques na rota, impulsionando a cotação do petróleo Brent para patamares superiores a US$ 101 por barril. Paralelamente, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano de dez anos superaram 5,30%, enquanto analistas avaliam como os dirigentes do Fed pretendem conduzir os próximos passos da política monetária.
Sobre a decisão recente, Mary Daly, presidente da distrital de San Francisco do Fed, declarou em entrevista ao site Axios que apoiou fortemente a elevação da taxa em setembro e classificou a medida como necessária diante da escalada dos riscos inflacionários. Contudo, Daly ponderou que a efetivação de novas altas dependerá da persistência de fatores de pressão sobre os preços, como tarifas alfandegárias, custos de energia e inteligência artificial.
No Brasil, o mercado doméstico repercute a cautela internacional enquanto digere os desdobramentos políticos do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. A disputa pelo Palácio do Planalto foi levada ao segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro, que alcançou 47,03% dos votos válidos, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 45,16%, com votação marcada para 25 de outubro.
Na esteira desses acontecimentos, o Ibovespa operava em queda de 0,52%, situando-se aos 205.835 pontos, em um movimento de acomodação após os recordes históricos alcançados após o pleito. O dólar comercial registrava variações divergentes dependendo do boletim, oscilando entre leve alta a R$ 4,9830 e recuo para R$ 4,976, enquanto investidores calibram expectativas em relação ao cenário fiscal e às sinalizações de juros nos Estados Unidos.
Fontes consultadas
- Ata do Fed e juros, nos EUA, influenciam mercados hoje economia.uol.com.br
- Alta de juros foi necessária diante de aumento de riscos inflacionários, diz Daly, do Fed valor.globo.com
- Ibovespa cai e dólar tem leve alta com cautela externa e ata do Fed no radar valorinveste.globo.com