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Política

Avião usado na fuga de Flávio Bolsonaro tem ligação com escândalo na Argentina

Aeronave particular contratada para o trajeto pertence a uma empresa citada em investigações de corrupção no governo argentino.

Por 3 min de leitura

Avião usado na fuga de Flávio Bolsonaro tem ligação com escândalo na Argentina
Avião usado na fuga de Flávio Bolsonaro tem ligação com escândalo na Argentina

O jato particular utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para deixar a Argentina e seguir em direção aos Estados Unidos pertence a uma empresa de táxi aéreo envolvida em investigações de corrupção e desvios de recursos no país vizinho. A fuga do parlamentar, ocorrida após a derrota nas eleições presidenciais brasileiras e em descumprimento a ordens da Justiça do Brasil, mobilizou autoridades federais e gerou repercussão internacional nesta semana.

De acordo com registros oficiais do governo argentino, o avião modelo Gulfstream G400, com matrícula LV-JQW, pertence à companhia Baires Fly S.A. A empresa de aviação executiva aparece citada em apurações conduzidas pela promotoria argentina sobre desvios na agência federal responsável por políticas para pessoas com deficiência, a ANDIS. Investigadores apontam conexões da firma e de intermediários com esquemas de emissão de notas fiscais falsas para lavagem de dinheiro.

Apesar de a Baires Fly não figurar formalmente como ré nos processos relacionados ao escândalo na ANDIS, o histórico da aeronave e de seus operadores levanta questionamentos sobre a logística da viagem de Flávio Bolsonaro. Relatórios indicam que a mesma aeronave e outros jatos da frota já foram utilizados anteriormente por figuras de destaque da política argentina, como o presidente Javier Milei e dirigentes esportivos locais.

A saída de Flávio do Brasil ocorreu na noite de terça-feira, quando o senador cruzou a fronteira terrestre em uma van pela Ponte Internacional Tancredo Neves, situada entre Foz do Iguaçu e a cidade argentina de Puerto Iguazu. Na sequência, a comitiva embarcou no jato executivo com destino a Guayaquil, no Equador, de onde prosseguiu viagem com desembarque final no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos.

A fuga aconteceu horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do parlamentar e proibi-lo de deixar o país. Flávio é alvo de investigações no STF que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e supostos vínculos com irregularidades financeiras envolvendo plataformas de apostas e o financiamento de produções audiovisuais.

Enquanto a Polícia Federal brasileira analisa rotas e documentos para mapear a rede de apoio que viabilizou a saída do senador, a Justiça da Argentina ordenou a preservação de imagens de câmeras de segurança em órgãos federais na região de fronteira. O objetivo é esclarecer se houve participação ou apoio de integrantes da administração de Javier Milei na operação de trânsito e embarque do político brasileiro.

Até o momento, os representantes da Baires Fly, os investigados citados nas conexões societárias e o governo argentino não se manifestaram sobre a contratação do voo. A defesa de Flávio Bolsonaro também não prestou esclarecimentos detalhados sobre a logística financeira que permitiu a viagem internacional do parlamentar investigado.

Fontes consultadas

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