Avião usado na fuga de Flávio Bolsonaro tem ligação com escândalo na Argentina
Aeronave particular contratada para o trajeto pertence a uma empresa citada em investigações de corrupção no governo argentino.
O jato particular utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para deixar a Argentina e seguir em direção aos Estados Unidos pertence a uma empresa de táxi aéreo envolvida em investigações de corrupção e desvios de recursos no país vizinho. A fuga do parlamentar, ocorrida após a derrota nas eleições presidenciais brasileiras e em descumprimento a ordens da Justiça do Brasil, mobilizou autoridades federais e gerou repercussão internacional nesta semana.
De acordo com registros oficiais do governo argentino, o avião modelo Gulfstream G400, com matrícula LV-JQW, pertence à companhia Baires Fly S.A. A empresa de aviação executiva aparece citada em apurações conduzidas pela promotoria argentina sobre desvios na agência federal responsável por políticas para pessoas com deficiência, a ANDIS. Investigadores apontam conexões da firma e de intermediários com esquemas de emissão de notas fiscais falsas para lavagem de dinheiro.
Apesar de a Baires Fly não figurar formalmente como ré nos processos relacionados ao escândalo na ANDIS, o histórico da aeronave e de seus operadores levanta questionamentos sobre a logística da viagem de Flávio Bolsonaro. Relatórios indicam que a mesma aeronave e outros jatos da frota já foram utilizados anteriormente por figuras de destaque da política argentina, como o presidente Javier Milei e dirigentes esportivos locais.
A saída de Flávio do Brasil ocorreu na noite de terça-feira, quando o senador cruzou a fronteira terrestre em uma van pela Ponte Internacional Tancredo Neves, situada entre Foz do Iguaçu e a cidade argentina de Puerto Iguazu. Na sequência, a comitiva embarcou no jato executivo com destino a Guayaquil, no Equador, de onde prosseguiu viagem com desembarque final no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos.
A fuga aconteceu horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do parlamentar e proibi-lo de deixar o país. Flávio é alvo de investigações no STF que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e supostos vínculos com irregularidades financeiras envolvendo plataformas de apostas e o financiamento de produções audiovisuais.
Enquanto a Polícia Federal brasileira analisa rotas e documentos para mapear a rede de apoio que viabilizou a saída do senador, a Justiça da Argentina ordenou a preservação de imagens de câmeras de segurança em órgãos federais na região de fronteira. O objetivo é esclarecer se houve participação ou apoio de integrantes da administração de Javier Milei na operação de trânsito e embarque do político brasileiro.
Até o momento, os representantes da Baires Fly, os investigados citados nas conexões societárias e o governo argentino não se manifestaram sobre a contratação do voo. A defesa de Flávio Bolsonaro também não prestou esclarecimentos detalhados sobre a logística financeira que permitiu a viagem internacional do parlamentar investigado.
Fontes consultadas
- Fuga de Flávio mobiliza Justiça argentina, e PF tenta descobrir rota usada para senador chegar à fronteira oglobo.globo.com
- 'Confusão sobre paradeiro de Flávio Bolsonaro': imprensa mundial repercute fuga de senador para os EUA | G1 g1.globo.com
- Avião usado por Flávio tem elo com ex-sócio de condenado nos EUA painelpolitico.com
- Veja a cronologia da fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA metropoles.com
- Da derrota à chegada a Miami: o roteiro da fuga de Flávio para os EUA noticias.uol.com.br