Bolívia investiga Evo Morales por mortes e enfrenta alta de combustíveis
Ex-presidente é alvo de nova investigação criminal por operação policial em 2009, enquanto agricultores locais buscam alternativas diante do encarecimento do diesel.
A Procuradoria-Geral da Bolívia abriu uma nova investigação criminal contra o ex-presidente Evo Morales e o ex-vice-presidente Álvaro García Linera. O caso envolve acusações de homicídio e tortura decorrentes de uma operação policial realizada em 16 de abril de 2009 no Hotel Las Américas, localizado na cidade de Santa Cruz.
Na ocasião da ação policial, agentes de elite mataram três cidadãos europeus que o governo de Morales apontava como integrantes de uma célula terrorista e separatista. Sobreviventes da operação e relatórios da Comissão Interamericana de Direitos Humanos apontaram execuções extrajudiciais e graves violações de direitos humanos coordenadas por autoridades estatais sem autorização judicial.
Para que o processo avance a um julgamento formal, a Assembleia Legislativa da Bolívia precisará aprovar a medida por dois terços dos votos. Esse procedimento especial para julgar altos funcionários é conhecido no país como 'juízo de responsabilidades', e Morales sustenta que deve ser julgado por esse mecanismo e não pelo sistema penal comum.
Este processo se soma a outros problemas judiciais enfrentados por Evo Morales, que já possui mandados de prisão pendentes por acusações de tráfico de pessoas na região de Tarija, além de denúncias de terrorismo e revolta armada relacionadas a bloqueios de estradas no país.
Enquanto o cenário político enfrenta turbulências, a economia local sofre impactos com a disparada nos preços dos combustíveis. O governo centrista boliviano encerrou recentemente os subsídios estatais ao diesel com o objetivo de equilibrar as contas públicas, encarecendo de forma drástica o insumo para os produtores rurais.
Diante da alta dos custos e do fato de o país importar grande parte de seus combustíveis líquidos, agricultores buscam alternativas caseiras para manter o maquinário funcionando. Na comunidade de Ancocala, em Laja, um morador local construiu uma pequena unidade artesanal que transforma plásticos, pneus velhos e óleo usado em combustível por meio da pirólise.
Apesar dos desafios internos e econômicos, a Bolívia continua a figurar em levantamentos internacionais como um dos destinos turísticos mais acessíveis da América do Sul. Segundo dados recentes de custos para mochileiros, o orçamento diário médio no país varia entre 25 e 35 dólares, valor consideravelmente mais baixo do que o registrado em nações vizinhas como Peru e Chile.