Bradesco registra lucro de R$ 7,1 bi no 3º trimestre, mas mercado aponta desaceleração
Ações preferenciais do banco recuaram na B3 após a divulgação do balanço devido ao aumento da inadimplência e à cautela com o crédito.
O Bradesco reportou um lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre, registrando um crescimento de 0,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior e de 14,6% na comparação anual. O resultado ficou em linha com as expectativas do mercado, mas analistas apontaram sinais de que a recuperação da instituição financeira está perdendo fôlego diante de pressões macroeconômicas.
O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 15,6%, ou 16,1% quando desconsiderado o recente aumento de capital de R$ 10 bilhões. A carteira de crédito avançou 1,1% no trimestre e 11,1% na comparação anual, alcançando R$ 1,15 trilhão. Para mitigar riscos do cenário econômico, o Bradesco tem concentrado a expansão de empréstimos em linhas com maiores garantias, que atingiram 61,2% do total da carteira.
Apesar da estratégia de maior seletividade, a inadimplência total acima de 90 dias subiu para 4,6%, frente aos 4,3% registrados no trimestre anterior. O avanço foi impulsionado principalmente pelo segmento de pessoas físicas, onde a taxa alcançou 5,8%, e pelas pequenas e médias empresas, que registraram atrasos de 4,9%. A administração do banco atribuiu parte dessa alta temporária a atrasos em operações garantidas por fundos públicos que exigem a entrada em default para a liberação das garantias, além de problemas pontuais na carteira rural.
Como reflexo da deterioração da qualidade do crédito, as provisões para devedores duvidosos subiram 7% no trimestre. Analistas de instituições como o BTG Pactual e o Itaú BBA destacaram que o aumento das despesas com provisões e a desaceleração nas receitas líquidas de juros limitam o potencial de expansão dos lucros e tornam o cenário desafiador para os próximos trimestres.
Em teleconferência com o mercado, o CEO Marcelo Noronha defendeu a qualidade da carteira de crédito e afirmou que a composição atual está muito mais protegida e controlada do que em períodos anteriores. Segundo o executivo, caso a economia estivesse em um ritmo mais favorável, o banco teria capacidade de expandir a carteira de forma mais agressiva e entregar resultados ainda maiores.
Do lado positivo do balanço, o banco destacou o rigor no controle de despesas operacionais, que apresentaram queda, e a melhora no índice de eficiência operacional para 45%. O segmento de seguros, previdência e capitalização registrou lucro líquido de R$ 2,8 bilhões, embora a operação tenha sido pressionada por sazonalidades na sinistralidade e pela desaceleração do IPCA no período.
Após a repercussão dos dados financeiros e das perspectivas para os próximos períodos, as ações preferenciais do Bradesco operaram em queda na B3, refletindo a cautela dos investidores em relação ao ritmo de crescimento da rentabilidade e aos impactos do cenário macroeconômico sobre o crédito brasileiro.
Fontes consultadas
- Macro pesa e Bradesco perde fôlego no 3º tri braziljournal.com
- Balanço do Bradesco sinaliza perda de fôlego, dizem analistas; ações recuam economia.uol.com.br
- Crédito sob pressão: CEO do Bradesco (BBDC4) defende qualidade da carteira, mas mercado teme perda de ritmo seudinheiro.com
- SMAL11 supera BOVA11 em negociação: o que os bilhões movimentados dizem sobre as small caps opetroleo.com.br
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