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Política

Campanha de Lula e petição cobram checagem em tempo real na Globo

Iniciativa popular já ultrapassou 230 mil assinaturas e campanha do presidente dialoga com a emissora para adotar verificação ao vivo no último debate presidencial.

Por 3 min de leitura

Campanha de Lula e petição cobram checagem em tempo real na Globo
Campanha de Lula e petição cobram checagem em tempo real na Globo

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um abaixo-assinado popular que já supera 230 mil assinaturas pressionam a TV Globo para a implementação de um sistema de checagem de fatos em tempo real durante o debate presidencial da próxima sexta-feira (23). O confronto entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) está marcado para as 21h20, ocorrendo a apenas dois dias do segundo turno das eleições de 2026, agendado para o domingo (25).

A mobilização ganhou forte impulso nas redes sociais e entre eleitores após o debate realizado pela Band no último domingo (18). Espectadores e internautas criticaram a ausência de mecanismos imediatos para desmentir declarações incorretas ou dados deturpados apresentados pelos candidatos, mesmo diante de jornalistas experientes. A repercussão nas plataformas digitais incluiu postagens com mais de 150 mil curtidas exigindo que os mediadores tenham autonomia para intervenções ao vivo.

No âmbito político, a equipe de Lula defende internamente o modelo de checagem em tempo real, semelhante ao utilizado em debates nos Estados Unidos, e busca dialogar com a emissora carioca para avaliar a possibilidade. O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador político da campanha, confirmou as tratativas e criticou o desempenho do adversário no encontro anterior. "A nossa equipe está conversando com a TV Globo. Nós queremos isso", afirmou Santana, ressaltando a importância de verificar as alegações apresentadas no confronto.

Aliados do atual presidente argumentam que Flávio Bolsonaro utilizou informações não confirmadas por órgãos oficiais durante o debate da Band, citando um suposto áudio sobre pagamentos irregulares que não foi reconhecido pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República. Por outro lado, um dos principais entraves logísticos e jurídicos para a adoção da medida é o fato de que a campanha petista já havia assinado anteriormente o documento com as regras oficiais estabelecidas pela emissora para o evento.

Dentre as alternativas debatidas nos bastidores e inspiradas em modelos internacionais, discute-se desde a intervenção direta de âncoras auxiliados por equipes técnicas — formato que em outros países gerou debates sobre imparcialidade — até soluções alternativas, como a exibição de códigos QR na tela que direcionem os telespectadores para páginas de apuração simultânea.

A pressão sobre a emissora também transbordou para as ruas. Movimentos sociais organizaram um protesto para a tarde de quinta-feira em frente à sede do jornalismo do canal, situada no bairro do Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro, com o objetivo de exigir medidas contra a desinformação.

Apesar de contar com o serviço de verificação "Fato ou Fake" em sua estrutura jornalística desde 2018, o Grupo Globo nunca aplicou ferramentas de checagem instantânea em debates presidenciais ao vivo. Com o empate técnico apontado por pesquisas recentes e o aumento expressivo no número de eleitores indecisos, a definição do formato para o último encontro entre os candidatos ganha ainda mais relevância na reta final da disputa eleitoral.

Fontes consultadas

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