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Política

Canais estrangeiros inspirados em estratégia de Janones dobram de tamanho

Iniciativas de mobilização digital na Argentina, França e Espanha reproduzem modelo criado no Brasil e registram forte crescimento em poucos dias.

Por 2 min de leitura

Canais estrangeiros inspirados em estratégia de Janones dobram de tamanho
Canais estrangeiros inspirados em estratégia de Janones dobram de tamanho

Grupos políticos na Europa e na América do Sul passaram a reproduzir a estratégia de mobilização digital inspirada no modelo brasileiro criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), conhecido como Exército do Lula. A articulação, que utiliza canais de plataformas de mensagens para distribuir orientações e engajar apoiadores, resultou em saltos expressivos no número de integrantes de diferentes movimentos internacionais em um intervalo de apenas 48 horas.

Na França, o grupo L’équipe de Mélenchon officielle, que reúne apoiadores do líder da esquerda Jean-Luc Mélenchon, registrou a maior alta proporcional no período, com um crescimento de 157,89%, passando de 57 mil para 147 mil participantes. Na Espanha, o canal La fuerza de la gente, criado em apoio ao primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol, avançou 68% e alcançou 42 mil integrantes. Já na Argentina, o Ejército del Peronismo, ligado à ala jovem da oposição, cresceu 46,34%, saltando de 41 mil para 60 mil seguidores.

O impacto da estratégia também gerou convites internacionais para o parlamentar brasileiro. O primeiro-ministro espanhol convidou Janones para colaborar em sua campanha política, cujas eleições estão previstas para o final de novembro. No Brasil, o modelo de comunicação gerou iniciativas locais análogas, a exemplo do canal Exército do Dudu, voltado para apoiar a candidatura de Eduardo Paes (PSD-RJ) no Rio de Janeiro, que acumulava centenas de milhares de seguidores.

Apesar da rápida expansão internacional, especialistas apontam que a replicação direta do modelo em outros países pode encontrar barreiras operacionais e culturais. O cientista político Giuliano Salvarani avalia que as diferenças nos hábitos de uso de aplicativos de mensagens e a conjuntura política de cada nação dificultam uma cópia exata da estratégia brasileira.

Segundo Salvarani, o alto grau de polarização no Brasil, aliado ao fato de a política fazer parte do cotidiano da população, impulsiona os resultados obtidos por essas ferramentas. O pesquisador destaca ainda que o tamanho do eleitorado brasileiro e a intensidade do uso de plataformas digitais explicam a efetividade do modelo, que deve influenciar campanhas eleitorais futuras no país.

Enquanto a estratégia ganha espaço no exterior, o funcionamento desses canais de transmissão segue no centro de debates jurídicos e regulatórios no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral tem avaliado critérios para o registro e a fiscalização de espaços digitais vinculados a campanhas, buscando diferenciar a mobilização legítima de ações coordenadas potencialmente irregulares na reta final das disputas eleitorais.

Fontes consultadas

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