Candidatos ajustam estratégias e redes sociais na reta final da disputa
Presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro intensificam presenças digitais e discursos econômicos na última semana antes do segundo turno das eleições.
A reta final da corrida presidencial de 2026 evidencia abordagens distintas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e o senador Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL. Enquanto o atual chefe do Executivo intensificou o volume de publicações nas redes sociais e passou a citar diretamente o adversário, o parlamentar manteve o foco na mobilização por votos e em mensagens de confronto direto.
Levantamentos sobre a atuação digital dos candidatos mostram que Lula assumiu a dianteira no volume de postagens no Instagram durante a campanha oficial. O vocabulário do presidente passou a incorporar termos de mobilização, como "bora" e "família", além de bandeiras recentes como a aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado. Do outro lado, Flávio Bolsonaro registrou menor volume diário de postagens, mas manteve alta taxa de engajamento por publicação, concentrando legendas e vídeos em torno de palavras como "vote" e "vencer".
A disputa no ambiente digital também motivou embates jurídicos e investigações. A coligação de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com acusações de que restrições e falhas técnicas em plataformas da Meta teriam prejudicado a distribuição de conteúdos da campanha petista. O TSE determinou que a empresa aplique tratamento igualitário às candidaturas, sob pena de multa. A Meta reconheceu falhas técnicas globais e de filtragem de termos, mas negou qualquer intenção de favorecer politicamente qualquer um dos concorrentes.
Paralelamente às movimentações nas redes sociais, os candidatos detalharam propostas econômicas em entrevistas recentes, recebendo ressalvas de analistas e especialistas em contas públicas. O presidente Lula defendeu o crescimento econômico e anunciou medidas como a ampliação do programa Desenrola e a proposta de passe livre no transporte público aos fins de semana, além de garantir reajustes reais para o salário mínimo e o Bolsa Família.
Por sua vez, o senador Flávio Bolsonaro defendeu ajustes fiscais para conter o avanço da dívida pública, prometendo cortes de gastos com a redução de ministérios e de cargos comissionados, além da securitização da dívida ativa da União. No entanto, o candidato do PL garantiu que não haverá mudanças em regras fundamentais de despesas obrigatórias, como a vinculação de benefícios previdenciários e o reajuste do salário mínimo.
Especialistas em economia apontam que as propostas de ambos os lados apresentam contradições e geram dúvidas sobre a viabilidade orçamentária para o próximo mandato. Analistas destacam que o volume de novas despesas e renúncias fiscais sinalizadas na campanha pode pressionar o superávit primário e o endividamento do governo em 2027.
Com as pesquisas de intenção de voto indicando um cenário de acirramento na disputa eleitoral a poucos dias do pleito, as campanhas buscam consolidar os apoios necessários entre o eleitorado indeciso. A definição do pleito presidencial ocorrerá no próximo domingo, dia 25 de outubro.
Fontes consultadas
- No Instagram, Lula muda o discurso no segundo turno, e Flávio Bolsonaro mantém foco em voto e confronto | Rádio Vira Mundo radioviramundo.com
- Lula tem 4x mais engajamento que Flávio nas redes após mudar estratégia para o 2º turno noticias.r7.com
- O que Lula e Flávio Bolsonaro mais falaram na propaganda no rádio | G1 g1.globo.com
- Lula x Flávio Bolsonaro: entenda as acusações contra a Meta às vésperas do 2º turno exame.com
- Em entrevistas, Flávio e Lula citam propostas econômicas que não cabem nas contas do governo, dizem analistas oglobo.globo.com