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Brasil

Cenipa aponta falhas e peças de carro em ultraleve que caiu no Rio Tietê

Relatório final da Força Aérea Brasileira detalha irregularidades estruturais e operacionais que antecederam a queda da aeronave em Pereira Barreto.

Por 3 min de leitura

Cenipa aponta falhas e peças de carro em ultraleve que caiu no Rio Tietê
Cenipa aponta falhas e peças de carro em ultraleve que caiu no Rio Tietê

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos concluiu o relatório final sobre a queda de um avião anfíbio de pequeno porte no Rio Tietê, em Pereira Barreto, São Paulo, ocorrida em fevereiro de 2024. O acidente resultou na morte do piloto Rosivaldo Mendes da Silva, de 38 anos, e deixou um passageiro gravemente ferido com fratura na perna.

De acordo com o documento técnico divulgado pelo órgão da Força Aérea Brasileira, o ultraleve experimental apresentava uma série de irregularidades técnicas e estruturais que comprometeram a segurança do voo. Durante a perícia realizada após a retirada dos destroços da água, os investigadores identificaram diversos componentes não aeronáuticos adaptados diretamente ao motor.

Entre as improvisações encontradas estavam um radiador de óleo, filtros de ar e de combustível originalmente fabricados para veículos terrestres, abraçadeiras de uso geral e fios elétricos remendados com fita isolante. Embora a investigação não confirme que essas adaptações tenham provocado a pane de forma direta, o estado precário da instalação elétrica e a falta de histórico de manutenção impediram que falhas mecânicas fossem descartadas.

Os peritos levantaram a hipótese de que a redução de potência ou o rompimento de algum componente dos comandos de voo tenham causado uma diminuição de velocidade e aumento do ângulo de ataque. Essa dinâmica pode ter levado a uma situação de estol, seguida por uma inclinação súbita para o lado esquerdo e colisão violenta contra a superfície da água.

Além dos problemas nos equipamentos, o relatório apontou graves infrações operacionais. O condutor não possuía a habilitação específica para operar aeronaves aquáticas ou anfíbias, exigida pela Agência Nacional de Aviação Civil, apesar de ter certificado para outros tipos de veículos aéreos. Os registros de voo da vítima também estavam desatualizados e sua habilitação principal permanecia vencida havia mais de uma década.

A decolagem ocorreu em um aeródromo privado da região para a observação do pôr do sol, mas o voo estendeu-se para o período noturno. A pista operava exclusivamente durante o dia, e a legislação brasileira proíbe o voo à noite para aparelhos de classe experimental desprovidos de equipamentos e autorizações especiais.

Cerca de dez minutos após levantar voo pela segunda vez no mesmo dia, a aeronave perdeu sustentação e submergiu próximo às margens do rio, onde foi avistada por pescadores que acionaram o socorro. O Cenipa concluiu que a inobservância generalizada de normas e regulamentos foi o principal fator determinante para o desfecho trágico.

Fontes consultadas

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