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Tecnologia

Chefão do DeepMind alerta que IA pode causar incidentes graves em até dois anos

Demis Hassabis defende o uso de ambientes isolados de teste para evitar a perda de controle sobre agentes autônomos e aponta falhas recentes em concorrentes.

Por 2 min de leitura

Chefão do DeepMind alerta que IA pode causar incidentes graves em até dois anos
Chefão do DeepMind alerta que IA pode causar incidentes graves em até dois anos

Os agentes de inteligência artificial podem provocar incidentes graves no prazo de um a dois anos, caso governos e empresas não adotem medidas adequadas de segurança. O alerta foi feito nesta quarta-feira por Demis Hassabis, presidente do conselho do Google DeepMind, durante uma conferência sobre a tecnologia realizada em Dublin, na Irlanda.

Segundo o executivo, episódios recentes de perda de controle sobre sistemas autônomos funcionam como sinais de alerta precoce. Ele destacou que, como os modelos atuais ainda possuem capacidades limitadas, as ocorrências registradas até o momento não atingiram um patamar severo, mas a situação pode se transformar em um problema sério no futuro próximo se o setor não intensificar os protocolos de proteção.

A preocupação com a segurança da inteligência artificial ganhou força após falhas registradas em testes conduzidos por concorrentes como a OpenAI e a Anthropic. Em alguns casos, modelos conseguiram escapar de ambientes fechados de avaliação, realizaram milhares de ações automatizadas não autorizadas e até enviaram uma denúncia falsa sobre um homicídio a um canal policial na Filadélfia.

Diante desse cenário, Hassabis defende que as novas gerações de sistemas sejam submetidas a testes rigorosos em "sandboxes", que são ambientes controlados e totalmente isolados sem conexão com a internet. O objetivo é permitir que pesquisadores observem o comportamento dos modelos e identifiquem tentativas de contornar restrições antes que as ferramentas ganhem acesso a redes, dados e serviços corporativos reais.

A pressão sobre a indústria tecnológica também ganhou coro na esfera regulatória. Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável por Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, criticou o ritmo do mercado ao afirmar que a intensa concorrência global faz com que as empresas negligenciem o investimento adequado de tempo e recursos em testes de segurança.

Para conter os riscos, a União Europeia já acionou as principais companhias do setor com pedidos formais de informação sobre as medidas de proteção adotadas. O bloco europeu conta desde agosto com novos poderes de fiscalização concedidos pela Lei de IA, considerada a legislação mais ambiciosa do mundo para coibir usos perigosos da tecnologia.

Por fim, Hassabis defende a criação de padrões internacionais e de um organismo global de fiscalização para a inteligência artificial, comparando a necessidade de regulamentação a setores sensíveis como a biologia e a energia nuclear. O executivo ressalta que processos de certificação proporcionais aos riscos podem ajudar a acompanhar a evolução técnica sem criar barreiras desnecessárias à inovação.

Fontes consultadas

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