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Ciência

Cientistas aprovam o fim do segundo bissexto a partir de 2027

A medida visa evitar falhas em sistemas digitais globais ao eliminar ajustes irregulares no tempo oficial.

Por 3 min de leitura

Cientistas aprovam o fim do segundo bissexto a partir de 2027
Cientistas aprovam o fim do segundo bissexto a partir de 2027

Cientistas e representantes de diversos países oficializaram, nesta quinta-feira (15), a decisão de encerrar o uso do chamado “segundo bissexto” na contagem do tempo mundial. A deliberação ocorreu durante a 28ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, realizada em Versalhes, na França, e estabelece que a mudança entrará em vigor em 20 de maio de 2027. A medida antecipa em oito anos uma alteração que estava prevista para ocorrer apenas em 2035.

O segundo bissexto é um ajuste utilizado desde 1972 para manter o Tempo Universal Coordenado (UTC), baseado na precisão dos relógios atômicos, sincronizado com a rotação da Terra. Como a velocidade de rotação do planeta sofre variações devido a fatores como movimentos no núcleo, fenômenos atmosféricos e a influência das marés, o tempo astronômico e o tempo atômico tendem a divergir. Até hoje, quando essa diferença se aproximava de 0,9 segundo, um segundo extra era adicionado ao relógio oficial.

A decisão de descontinuar o mecanismo foi motivada principalmente pelos riscos operacionais que esses ajustes representam para a infraestrutura tecnológica moderna. Sistemas de telecomunicações, redes de computadores, serviços financeiros, sistemas de navegação por satélite e data centers dependem de uma contagem de tempo contínua e precisa. A inserção inesperada de um segundo pode gerar inconsistências, falhas de sincronização e comportamentos imprevistos em softwares complexos.

Um ponto crítico que acelerou as discussões foi a recente aceleração da rotação terrestre observada nos últimos anos. Esse fenômeno levantou a possibilidade inédita de ser necessário aplicar um “segundo bissexto negativo”, ou seja, retirar um segundo do relógio oficial em vez de acrescentá-lo. Especialistas alertaram que a implementação de uma correção negativa nunca realizada poderia causar danos ainda maiores e imprevisíveis aos sistemas digitais globais.

Dolores del Campo Maldonado, do Centro Espanhol de Metrologia, destacou a importância da medida ao afirmar que ela é necessária e oportuna diante dos riscos significativos que a introdução de um segundo intercalar negativo poderia representar nos próximos anos. A nova regra permitirá que a diferença entre o tempo oficial e a rotação terrestre cresça gradualmente até atingir o limite de uma hora, o que, segundo estimativas técnicas, deve levar séculos para ocorrer.

Na prática, a mudança não será percebida pelo público em geral, já que relógios de pulso, celulares e computadores continuarão funcionando normalmente. A alteração afeta apenas a forma como a infraestrutura técnica coordena a referência de tempo global. Astrônomos e pesquisadores continuarão monitorando o movimento da Terra para fins científicos, mas o padrão internacional de tempo passará a ser mantido de forma contínua, sem as interrupções causadas pelas correções de um segundo.

Com a implementação do novo sistema em 2027, a comunidade internacional prioriza a estabilidade da infraestrutura digital em detrimento do alinhamento constante com a rotação astronômica. A decisão marca uma mudança significativa na metrologia, consolidando o uso de uma referência de tempo que, embora se distancie gradualmente da observação do céu, oferece maior segurança e confiabilidade para as demandas da tecnologia contemporânea.

Fontes consultadas

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