Coalizão propõe padrão nacional de transparência para recursos hídricos
Nota técnica entregue ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos exige dados abertos sobre outorgas e fiscalização da água no país.
Uma coalizão formada por 16 organizações da sociedade civil protocolou no Conselho Nacional de Recursos Hídricos uma nota técnica acompanhada de uma minuta de resolução. O objetivo da proposta é estabelecer padrões mínimos e obrigatórios de transparência para a gestão dos recursos hídricos em todo o território nacional.
A iniciativa pretende unificar o acesso a informações essenciais sobre quem possui o direito de uso da água, quais empresas foram autuadas e quais áreas estão sob embargo. Atualmente, o mapeamento do setor revela grandes assimetrias entre os estados, o que dificulta o controle social e a avaliação de riscos socioambientais por parte de indústrias, bancos, seguradoras e órgãos de controle.
Pelo texto da minuta, os órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos seriam obrigados a disponibilizar consultas online por nome, razão social, CPF, CNPJ ou número de processo administrativo de forma totalmente gratuita, sem exigir qualquer tipo de cadastro, login ou senha prévia.
O conteúdo mínimo a ser publicado incluiria outorgas de uso, autos de infração e o respectivo andamento processual, termos de embargo, datas das últimas fiscalizações e os Termos de Ajustamento de Conduta celebrados, incluindo a íntegra dos acordos firmados com os administrados.
Dados estatísticos apontam que cerca de 80% das autuações e embargos ambientais no país decorrem da atuação de órgãos estaduais, e não de autarquias federais como o Ibama ou o ICMBio. Como consequência dessa descentralização, investidores e analistas de risco precisam consultar até 27 sistemas estaduais diferentes para mapear passivos hídricos.
O debate ganha relevância em polos industriais e logísticos de grande porte, como a Baixada Santista, onde a escassez de dados públicos sobre autos de infração hídrica em estados como São Paulo compromete o planejamento e a segurança jurídica de operações portuárias, ferrovias e indústrias retroportuárias.
A proposta enviada ao conselho agora passará por análises técnicas e debates no plenário, que reúne representantes da União, dos estados, de usuários e da sociedade civil, sem um prazo definido para deliberação final.
Fontes consultadas
- Coalizão pede ao CNRH padrão nacional de transparência para dados de outorgas, infrações e embargos hídricos portogente.com.br
- Luciano Gonçalves: «Não tenho nada a esconder sobre o que quer que seja» cnnportugal.iol.pt
- María Corina Machado agradece a Trump por abrir a "comporta para a liberdade" da Venezuela folhape.com.br
- Machado agradece a Trump por abrir comporta da liberdade na Venezuela - Jornal de Brasília jornaldebrasilia.com.br
- Mais polêmicas no TRF-1 obrasilianista.com.br