Debate da Globo altera estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro
Candidatos ajustam posturas e tom para o próximo confronto televisivo após repercussão do primeiro encontro.
Após o debate promovido pela TV Bandeirantes para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para o próximo domingo, as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro preparam novas estratégias para o confronto ao vivo que será realizado pela TV Globo. O encontro anterior terminou empatado segundo avaliações internas e pesquisas que apontam o eleitorado indeciso ainda em busca de definições.
Para o próximo debate, aliados de Lula aconselharam o presidente a ignorar possíveis provocações de seu adversário. A orientação interna é para que o candidato do PT adote uma postura de diálogo direto com o telespectador, tratando as investidas do oponente como birra e concentrando-se na apresentação de propostas.
A avaliação do QG petista foi influenciada por pesquisas qualitativas e grupos focais. Nesses espaços, o comportamento de Flávio Bolsonaro foi classificado por mulheres entrevistadas como agressivo, desrespeitoso e infantil, características que geraram críticas ao longo do confronto televisivo anterior.
Do lado do adversário, a avaliação da campanha do PL também indicou a necessidade de ajustes. Aliados apontam que o senador de 45 anos exagerou no tom beligerante e deve buscar um espaço maior para a exposição de propostas e respostas diretas a Lula, mantendo contudo a movimentação pelo palco durante as falas do presidente.
O primeiro debate da disputa também gerou forte repercussão nas redes sociais, com destaque para o momento em que o candidato do PL exibiu a palavra "corrupto" escrita na palma da mão. A imagem rapidamente se transformou em motivo de piada entre os internautas, que passaram a publicar fotos de suas próprias mãos com profissões e ocupações cotidianas.
A brincadeira digital alcançou figuras públicas como ministros e parlamentares, além de ganhar espaço na imprensa internacional. O jornal britânico The Guardian destacou o episódio e apontou a iniciativa como um erro de comunicação que pode marcar a trajetória política do senador, que atualmente enfrenta investigações no Supremo Tribunal Federal e nega as acusações.