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Política

Decisão de Zanin que estende votação gera críticas e debates políticos

Medida do Supremo Tribunal Federal para prorrogar o horário de votação até as 19h motivou reações de autoridades e especialistas em direito eleitoral.

Por 3 min de leitura

Decisão de Zanin que estende votação gera críticas e debates políticos
Decisão de Zanin que estende votação gera críticas e debates políticos

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação do horário de votação do segundo turno das eleições até as 19h, no horário de Brasília, em todo o país. A decisão foi tomada neste domingo após petição da campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, motivada por relatos de falhas e dificuldades no transporte público de eleitores em diferentes regiões do Brasil.

A medida gerou forte repercussão entre políticos da oposição e gestores públicos. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, em transmissão ao vivo realizada a partir de Miami, classificou a decisão como destituída de credibilidade e sem fundamentação constitucional adequada. O comentarista político Paulo Figueiredo, que participava do mesmo evento, afirmou que a determinação monocrática possui contornos prejudiciais à democracia e ao sistema eleitoral.

No mesmo sentido, o deputado federal Nikolas Ferreira criticou duramente a alteração de horário nas redes sociais, argumentando que a medida teria o objetivo de construir narrativas na reta final do pleito. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas cobrou explicações públicas sobre os fundamentos e a execução da prorrogação, destacando a necessidade de segurança jurídica e transparência.

O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, também questionou a decisão, classificando-a como incomum e sustentando que caberia ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a deliberação sobre o tema. Nunes negou que tenha havido falta de ônibus na cidade e afirmou que a frota operou com a totalidade da capacidade programada para o dia do pleito, embora tenha admitido possíveis dificuldades logísticas para mobilizar os profissionais envolvidos.

Por outro lado, especialistas em direito eleitoral apontaram que os problemas observados no transporte público representaram um grave entrave ao processo democrático. O advogado Guilherme Gonçalves, integrante da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Política (ABRADEP), avaliou que a redução da oferta de frotas em municípios como Salvador e São Paulo configurou uma interferência prejudicial à participação dos eleitores e defendeu rigor na apuração de responsabilidades.

Gonçalves também criticou a demora da Justiça Eleitoral em adotar diretrizes definitivas durante a tarde e apontou que a judicialização tardia do processo pode suscitar debates jurídicos futuros sobre a regularidade do pleito. Em Salvador, a situação do transporte gerou ordens de prisão contra gestores de mobilidade urbana, enquanto órgãos como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) cobraram esclarecimentos para preservar a confiança nas instituições.

Em decorrência da prorrogação determinada pelo STF, o Tribunal Superior Eleitoral suspendeu temporariamente a totalização dos votos até o encerramento oficial do pleito às 19h. Eleitores em diversas seções eleitorais enfrentaram realidades distintas, com locais reabrindo portões temporariamente para cumprir a determinação, enquanto outros já haviam concluído a emissão de boletins de urna e liberado os mesários.

Fontes consultadas

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