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Política

Declaração de Tarcísio sobre 2030 gera mal-estar no PL

Governador de São Paulo admitiu possibilidade de concorrer à Presidência, provocando críticas de aliados de Flávio Bolsonaro.

Por 3 min de leitura

Declaração de Tarcísio sobre 2030 gera mal-estar no PL
Declaração de Tarcísio sobre 2030 gera mal-estar no PL

A manifestação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitindo a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030, gerou forte mal-estar entre integrantes do PL. A declaração, proferida apenas quatro dias após a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi interpretada por alas da legenda como uma atitude oportunista e precipitada na corrida pelo Palácio do Planalto.

O descontentamento ocorre no momento em que a direita busca se reorganizar politicamente após o pleito. Embora tenha deixado o país rumo aos Estados Unidos, Flávio sinalizou a interlocutores a intenção de preservar a liderança da oposição e de encabeçar uma nova candidatura presidencial em 2030. Nesse cenário, aliados do senador avaliam que Tarcísio "queimou a largada" ao tentar ocupar espaço político antes mesmo que o campo conservador assimilasse o resultado das urnas.

O clima de tensão é intensificado pelo histórico recente de alianças. Durante a disputa eleitoral deste ano, Tarcísio participou ativamente da campanha de Flávio, apoiando a indicação feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, integrantes do entorno do senador mantinham reservas quanto ao empenho do governador e agora criticam a antecipação do debate sucessório, ponderando que o foco atual deveria ser a reestruturação da oposição e a articulação no Congresso a partir de 2027.

A desconfiança em relação ao chefe do Executivo paulista remonta à própria montagem da chapa presidencial, quando Tarcísio nutria expectativas de ser o nome do bolsonarismo para a disputa nacional. Na ocasião, o ex-presidente optou por lançar o próprio filho, enquanto Tarcísio direcionou seus esforços para a campanha de reeleição ao governo de São Paulo, conquistada ainda no primeiro turno.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio condicionou uma futura candidatura presidencial ao desempenho de seu segundo mandato à frente do estado. O governador ressaltou que tal decisão será tomada de forma coletiva e guiada por princípios de grupo e espirituais. "A gente tem que ver qual é o cenário de momento e, claro, vou estar terminando o segundo mandato aqui no estado de São Paulo. Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho", declarou.

Adotando um tom institucional, Tarcísio também enfatizou a necessidade de respeitar a soberania das urnas e defender uma oposição democrática e responsável. A postura contrasta com a linha adotada por Flávio Bolsonaro, que mantém um tom de contestação ao pleito. Além disso, a movimentação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) também é acompanhada de perto por setores do bolsonarismo, evidenciando uma disputa em aberto pelo protagonismo político da direita nos próximos anos.

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