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Política

Desaprovação recorde de Trump desafia governo nas eleições de meio de mandato

A menos de duas semanas da votação que renovará o Congresso americano, pesquisas apontam forte insatisfação popular com a economia e a condução de conflitos.

Por 3 min de leitura

Desaprovação recorde de Trump desafia governo nas eleições de meio de mandato
Desaprovação recorde de Trump desafia governo nas eleições de meio de mandato

A menos de duas semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta índices expressivos de desaprovação popular. Levantamentos recentes divulgados por diferentes institutos indicam que a rejeição ao governo norte-americano supera os 60%, levantando alertas na Casa Branca para a votação marcada para o dia 3 de novembro, quando serão renovadas todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado.

O agregador de pesquisas do estatístico Nate Silver aponta que 60,6% dos americanos desaprovam a gestão atual, enquanto apenas 36,3% a aprovam. Um levantamento da Reuters/Ipsos revelou um cenário ainda mais desfavorável, com 66% de rejeição contra 31% de aprovação. Outros institutos, como The New York Times em parceria com a Universidade Siena e a CNN/SSRS, registraram índices de desaprovação variando entre 60% e 67%, atingindo os menores patamares da série histórica do governo.

O principal motor da insatisfação dos eleitores está ligado à economia e ao alto custo de vida. A aplicação de novas tarifas comerciais e os desdobramentos de conflitos internacionais, como a guerra contra o Irã, pressionaram a inflação e encareceram itens básicos como combustíveis e alimentos, elevando os preços da gasolina para patamares superiores a quatro dólares por galão. Dados mostram que quase três quartos dos eleitores desaprovam a atuação do presidente na área inflacionária.

A frustração econômica atingiu inclusive parcelas da coalizão que garantiram a vitória de Trump em eleições anteriores, reconquistando votos entre homens, jovens e eleitores hispânicos. Paul Gettings, um eleitor de 62 anos que apoiou Trump no passado, relatou desilusão com o cenário atual. "Estou muito desiludido com o Partido Republicano e com a maneira como eles conseguem continuar apoiando Trump", afirmou Gettings, citando promessas vazias e dificuldades financeiras.

Diante desse panorama, eleitores com maior probabilidade de comparecer às urnas demonstram preferência por candidatos democratas, superando os republicanos por uma margem de onze pontos percentuais em seus distritos. O Partido Democrata também ganhou vantagem na confiança pública para lidar com o custo de vida e com a economia, áreas tradicionalmente associadas à força dos republicanos, além de ser visto por boa parte da população como mais atento aos problemas da classe trabalhadora.

Apesar da ampla rejeição e do risco de perder o controle das duas Casas do Congresso — atualmente dominadas pelos republicanos —, Trump mantém forte respaldo de sua base tradicional, com 82% dos membros do partido aprovando suas políticas e a condução da guerra no Irã. Para reverter o cenário desfavorável, o presidente tem intensificado comícios pelo país e recorrido a propostas de estímulo financeiro aos eleitores, enquanto o Partido Democrata também lida com índices internos de insatisfação por parte de seus próprios correligionários.

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