Desmatamento cai na Amazônia e no Cerrado e atinge menor nível histórico
Dados do governo federal apontam quedas expressivas na supressão de vegetação nativa em ambos os biomas entre agosto de 2025 e julho de 2026.
O desmatamento na Amazônia e no Cerrado registrou reduções significativas e alcançou os menores índices de suas respectivas séries históricas, conforme dados divulgados pelo governo federal com base em informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Na Amazônia Legal, a perda de vegetação nativa caiu 41,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026, atingindo 3.335 quilômetros quadrados, o patamar mais baixo desde o início do monitoramento pelo Prodes em 1988.
No Cerrado, a supressão de vegetação recuou 23,8% no mesmo período, somando 5.516,69 quilômetros quadrados. Trata-se do menor índice registrado no bioma desde o início da série histórica, em 2001. Apesar da retração geral, a perda de cobertura vegetal no Cerrado continua concentrada na região do Matopiba — formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, que respondeu por 74,3% de todo o desmatamento monitorado na área.
No recorte estadual da Amazônia Legal, o Pará manteve-se na liderança da área desmatada, registrando 1.130 quilômetros quadrados, o que representa uma queda de 45,3%. Mato Grosso ocupou a segunda posição com 849 quilômetros quadrados desmatados, uma retração de 46,7%, seguido pelo Amazonas, que contabilizou 525 quilômetros quadrados, queda de 46,4%. Juntos, esses três estados concentraram cerca de 75% da área suprimida na região.
Apesar da queda nos índices de desmatamento, o Amazonas tem enfrentado forte pressão ambiental decorrente de incêndios florestais agravados pela estiagem associada ao fenômeno climático El Niño. A Agência Espacial Americana (Nasa) alertou que as condições climáticas severas aumentam a vulnerabilidade da floresta ao fogo, gerando episódios de fumaça intensa que afetaram a qualidade do ar e paralisaram atividades em Manaus.
Para conter o avanço das chamas, uma força-tarefa federal foi mobilizada no estado, envolvendo centenas de brigadistas do Ibama e do ICMBio, além de aeronaves e embarcações. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, centenas de focos de incêndio foram combatidos, enquanto investigações conduzidas por forças policiais buscam apurar a responsabilidade humana por trás das ocorrências.
Especialistas ressaltam que os dados de desmatamento mensurados pelo Prodes e as ocorrências de queimadas medem fenômenos distintos. Enquanto o desmatamento avalia a supressão oficial da cobertura vegetal, áreas já degradadas ou abertas podem ser atingidas por incêndios sem que toda a extensão seja contabilizada diretamente como nova perda florestal.
O governo federal atribui os resultados positivos na contenção do desmatamento a ações contínuas de fiscalização, que incluíram dezenas de milhares de operações e bilhões de reais em multas aplicadas desde 2023. A implementação de novas tecnologias de monitoramento via satélite com inteligência artificial também integra a estratégia para frear a degradação ambiental nos biomas brasileiros.
Fontes consultadas
- Florada dos ipês inspira coleta de sementes para produção de mudas nativas em Mato Grosso | Gazeta Digital gazetadigital.com.br
- Desmatamento cai 41% na Amazônia e 23% no Cerrado e atinge menor nível da história exame.com
- Após cheia fora de época, Rio Miranda enfrenta decoada e registra peixes mortos correiodoestado.com.br
- Desmatamento cai 46,7% em MT, mas Estado segue entre os líderes na Amazônia | VGN - Notícias em MT com credibilidade vgnoticias.com.br
- Campo Grande será sede do maior encontro de turismo de natureza do Brasil diariodigital.com.br