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Política

Eleições de 2026 redefinem bancadas e lideranças religiosas no Rio

Pleito revela desgaste de figuras tradicionais e disparidade no desempenho de nomes ligados a diferentes igrejas fluminenses.

Por 3 min de leitura

Eleições de 2026 redefinem bancadas e lideranças religiosas no Rio
Eleições de 2026 redefinem bancadas e lideranças religiosas no Rio

As eleições gerais de 2026 trouxeram mudanças expressivas na configuração política do Rio de Janeiro, especialmente no que tange à representatividade de lideranças e estruturas religiosas tradicionais. Enquanto nomes históricos ligados a grandes denominações enfrentaram derrotas expressivas nas urnas, outras figuras conseguiram preservar ou ampliar seus espaços nas casas legislativas, demonstrando que o eleitorado evangélico mantém forte presença, embora com novas dinâmicas de comportamento.

O caso mais emblemático da retração de forças tradicionais envolveu o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e figura de projeção nacional com passagens pelo Senado e pelo Ministério da Pesca, Crivella encerrou a disputa ao Senado em sexto lugar, alcançando apenas 3,39% dos votos válidos. A votação ficou muito distante dos principais concorrentes eleitos, como Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL.

A derrocada de Crivella coincidiu com dificuldades enfrentadas por outros candidatos historicamente associados à Universal no estado fluminense. Entre os nomes que disputaram cadeiras na Câmara dos Deputados, Luis Carlos Gomes obteve êxito com 70.331 votos, enquanto Rosangela Gomes ficou na suplência com 64.975 votos e Jorge Braz não conquistou vaga. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a legenda garantiu a reeleição de parlamentares como Danniel Librelon e Tia Ju, mas viu o bispo Carlos Macedo figurar apenas como suplente.

As dificuldades eleitorais de estruturas religiosas na última disputa não se restringiram à Universal. A família do missionário R.R. Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, também não obteve sucesso na tentativa de emplacar seus filhos nos mandatos legislativos. Marcos R.R. Soares falhou na tentativa de chegar à Câmara dos Deputados pelo PSDB, e Filipe R.R. Soares não garantiu vaga na Alerj pela mesma legenda, enquanto André R.R. Soares ficou na suplência da chapa ao Senado encabeçada por Waguinho.

Outra baixa notável ocorreu com Otoni de Paula (PSD). Pastor e deputado federal por dois mandatos com forte ligação com a Assembleia de Deus de Madureira, ele não conseguiu renovar sua cadeira na Câmara federal ao registrar 19.364 votos, terminando o pleito na suplência e evidenciando que as dificuldades atingiram diferentes correntes evangélicas.

Apesar dos reveses em algumas frentes, o cenário político fluminense demonstrou que o eleitorado religioso continua altamente mobilizado e capaz de eleger representantes de peso. O contraste foi observado no grupo ligado ao pastor Silas Malafaia. Sóstenes Cavalcante (PL), pastor licenciado da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, conquistou a reeleição como deputado federal com 170.290 votos, registrando a sétima maior marca entre os 46 parlamentares eleitos pelo estado.

No âmbito estadual, a estratégia de aproximação com o mesmo grupo político também obteve êxito nas urnas com Alexandre Isquierdo Malafaia (PL), que incorporou o sobrenome do pastor e garantiu uma cadeira na Alerj com 83.461 votos. Os resultados consolidados mostram que, embora figuras centrais do passado tenham perdido espaço e o comportamento do eleitorado demonstre maior seletividade, o voto de matriz religiosa permanece como uma das forças mais organizadas da política fluminense.

Fontes consultadas

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