Escritório de Flávio Bolsonaro fatura R$ 14 milhões e entra na mira da PF
Investigação do Supremo Tribunal Federal apura movimentações financeiras e supostas ligações com o advogado Willer Tomaz.
O escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro emitiu pelo menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026, período em que ele exercia o mandato parlamentar. A Polícia Federal abriu um inquérito, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, para examinar as movimentações financeiras da sociedade individual, após identificar indícios de uma possível ligação bancária entre o parlamentar e o advogado Willer Tomaz.
Foram examinados 62 documentos fiscais do escritório, que tem sede na mansão do senador em Brasília e utiliza a descrição genérica de assessoria jurídica na maior parte dos registros. Em consultas a tribunais, a reportagem encontrou apenas um processo relacionado aos clientes identificados nas notas. A legislação brasileira permite que parlamentares exerçam a advocacia paralelamente ao mandato, desde que respeitadas restrições como a proibição de atuar em causas que envolvam órgãos públicos.
Entre os principais clientes da banca estão escritórios associados, empresas do setor privado e fabricantes de doces. A maior contratação documentada envolveu a Nilo & Almeida Advogados Associados, que repassou R$ 4 milhões em duas notas fiscais emitidas em 2025. O advogado Edvaldo Nilo de Almeida, integrante da sociedade contratante e do Conselho Nacional do Ministério Público, afirmou que os valores correspondem a serviços prestados conjuntamente a clientes privados, sem a utilização de recursos públicos.
Outro destaque nos registros financeiros é a Simas Industrial de Alimentos, que pagou R$ 3,3 milhões em três notas fiscais emitidas entre 2023 e 2024. O caso da fabricante de doces foi o único associado diretamente a uma disputa societária no Superior Tribunal de Justiça na qual Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz receberam procuração para atuar. A documentação do escritório também aponta pagamentos de sociedades ligadas a Otto Medeiros e ao advogado Daniel Bettamio Tesser.
A investigação da Polícia Federal é um desdobramento de uma apuração sobre supostos crimes de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas esportivas. A apuração atingiu ainda o ex-governador Cláudio Castro e o ex-deputado Alexandre Ramagem. No âmbito das investigações, a PF também apura um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de processos em tramitação no Superior Tribunal de Justiça para beneficiar a estratégia de defesa de investigados.
A revelação do faturamento gerou forte repercussão política na reta final da disputa eleitoral. Integrantes da campanha adversária criticaram as movimentações financeiras e apontaram os dados como justificativa para a resistência do candidato em abrir o sigilo fiscal e bancário. Por sua vez, a defesa e os citados nas investigações negam veementemente a existência de irregularidades, classificando as suspeitas como ilações e destacando que a atuação profissional ocorreu dentro da legalidade.
Fontes consultadas
- Escritório de Flávio Bolsonaro entra na mira da PF após faturar R$ 14 milhões durante mandato no Senado brasil247.com
- Faturamento mostra porque Flávio não quer abrir sigilo, diz campanha do PT noticias.uol.com.br
- Investigação no STF sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e amigo advogado atinge também Cláudio Castro e Ramagem oglobo.globo.com
- Jeffrey Epstein se aproximou de Woody Allen para retomar prestígio, diz jornal uol.com.br