Estudante de medicina em SC é condenada a devolver R$ 176 mil por fraude em bolsa
Tribunal de Contas de Santa Catarina identificou omissão de informações socioeconômicas para obtenção de auxílio do programa Universidade Gratuita.
Uma estudante de medicina de Santa Catarina foi condenada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/SC) a devolver R$ 176.252,40 aos cofres públicos após a constatação de irregularidades no recebimento de bolsas de estudo. A decisão, publicada em processo de Tomada de Contas Especial instaurado pela Secretaria de Estado da Educação, refere-se aos valores recebidos pela beneficiária entre os anos de 2023 e 2024 por meio do Programa Universidade Gratuita.
De acordo com o relatório da Diretoria de Contas de Gestão do órgão fiscalizador, a investigação apontou divergências significativas entre os dados declarados pela aluna durante o cadastramento e o recadastramento e as informações levantadas pelos investigadores. A apuração concluiu que houve omissão de detalhes essenciais sobre a composição familiar, a renda e o patrimônio do grupo familiar.
A relatora do processo, conselheira substituta Sabrina Nunes Iocken, destacou em seu voto que a concessão e a manutenção da assistência financeira ocorreram com base em dados incompletos. Segundo a magistrada, a situação comprometeu a verificação da real condição de hipossuficiência que o programa exige dos candidatos.
Com a decisão, a estudante tem um prazo de 30 dias, contados a partir da publicação do acórdão, para comprovar o recolhimento integral da quantia ao Tesouro do Estado. Caso o pagamento não seja efetuado dentro do prazo estabelecido, a dívida poderá ser encaminhada para cobrança judicial.
Além da determinação de ressarcimento, a Corte de Contas decidiu enviar cópia integral dos autos ao Ministério Público de Santa Catarina para que o órgão tome conhecimento dos fatos e adote as medidas cabíveis no âmbito legal.
Até o momento, o TCE/SC já determinou a devolução de mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos em decorrência de concessões irregulares de auxílios educacionais, abrangendo o Programa Universidade Gratuita e o Programa de Assistência Financeira Estudantil do Ensino Superior de Santa Catarina (Uniedu). Entre os motivos mais comuns para essas autuações estão a omissão de bens patrimoniais, a posse de graduação anterior, a ocultação de renda comercial e informações incompatíveis com a realidade socioeconômica.
A conselheira Sabrina Iocken ressaltou que a atuação dos tribunais de contas vai além da responsabilização, tendo também o papel de orientar e prevenir fraudes para aprimorar as políticas públicas. Ela enfatizou que as universidades precisam instruir os alunos de forma clara sobre os critérios de elegibilidade e a necessidade de transparência nas informações prestadas.
Fontes consultadas
- Estudante de Medicina é condenada a devolver R$ 176 mil ao Estado após fraude em bolsa do Universidade Gratuita em SC | Folha Regional folharegionalwebtv.com
- Estudantes já devolveram mais de R$ 1 milhão em bolsas fraudadas do Universidade Gratuita em SC, diz TCE ndmais.com.br
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