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Saúde

Estudo associa uso precoce de smartphone a transtornos alimentares

Pesquisa realizada com quase nove mil adolescentes nos Estados Unidos aponta riscos aumentados para sintomas alimentares em jovens que ganham celular aos 12 anos.

Por 3 min de leitura

Estudo associa uso precoce de smartphone a transtornos alimentares
Estudo associa uso precoce de smartphone a transtornos alimentares

À medida que se aproxima o Dia das Crianças, data frequentemente marcada pela entrega de presentes tecnológicos, uma nova pesquisa publicada no periódico científico JAMA Network Open traz alertas importantes sobre os impactos do primeiro smartphone. O estudo, conduzido por cientistas do Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), aponta que crianças que possuem um aparelho próprio aos 12 anos enfrentam riscos maiores de desenvolver sintomas relacionados a transtornos alimentares dois anos mais tarde.

O trabalho acompanhou 8,9 mil adolescentes nos Estados Unidos. Os dados revelaram que quase 70% dos participantes já tinham um smartphone próprio aos 12 anos de idade. Ao atingirem os 14 anos, o grupo que possuía o dispositivo apresentou um risco 49% maior de manifestar pelo menos um dos sintomas avaliados de transtornos alimentares em comparação aos que não tinham o aparelho.

Entre os indicadores específicos analisados pelos pesquisadores, o risco de apresentar sintomas de compulsão alimentar foi 67% superior entre os donos de celulares. Além disso, a probabilidade de adotarem práticas pouco saudáveis para tentar evitar o ganho de peso aumentou em 50%, e a chance de os adolescentes atiarem fortemente a própria autoestima ao peso corporal duplicou.

Em termos absolutos, 24,2% dos jovens que tinham smartphone aos 12 anos apresentaram pelo menos um dos sintomas aos 14, contra 15,5% entre aqueles que não possuíam o dispositivo na mesma idade. Os autores do estudo ressaltam que essa diferença estatística permaneceu firme mesmo após o controle de variáveis como renda familiar, escolaridade dos pais, índice de massa corporal, estágio da puberdade e presença de sintomas depressivos.

O levantamento também identificou variações na forma como a preocupação com o corpo se manifesta entre gêneros. Meninas que tinham smartphone aos 12 anos relataram maior medo de ganhar peso do que os meninos. No entanto, os pesquisadores destacam que entre o público masculino os problemas de imagem corporal podem se expressar de maneiras distintas, como na busca excessiva pelo ganho de músculos e redução de gordura, embora essa vertente não tenha sido diretamente medida na pesquisa.

Embora o estudo não tenha monitorado o tempo de tela, os aplicativos utilizados ou os conteúdos consumidos pelos adolescentes, os cientistas apontam que a posse de um smartphone próprio concede acesso mais frequente e privado a materiais sobre padrões de beleza e aparência, intensificando comparações sociais. Outro fator levantado é o prejuízo ao sono causado pelo uso noturno do aparelho, o que afeta diretamente a regulação do apetite e das emoções.

Os autores enfatizam que a pesquisa encontrou uma associação estatística, mas não comprova uma relação direta de causa e efeito entre o dispositivo e os transtornos alimentares. Contudo, os resultados reforçam a necessidade de pais e responsáveis debaterem o momento adequado para a entrega do primeiro aparelho, bem como estabelecerem limites de uso e supervisão inicial adequados para a faixa etária.

Fontes consultadas

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