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Ciência

Estudo revela como microplásticos podem gerar moléculas reativas na água e no sangue

Pesquisa aponta que partículas comuns de plástico podem produzir radicais livres ao entrar em contato com fluidos biológicos e aquosos.

Por 3 min de leitura

Estudo revela como microplásticos podem gerar moléculas reativas na água e no sangue
Estudo revela como microplásticos podem gerar moléculas reativas na água e no sangue

Pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, identificaram que partículas de microplásticos são capazes de produzir moléculas altamente reativas quando entram em contato com a água e com o soro sanguíneo. Publicada em 14 de outubro na revista Nature, a descoberta traz novos elementos para compreender os mecanismos biológicos por trás dos possíveis danos causados por esses poluentes ao organismo humano.

Apesar de os microplásticos já terem sido associados anteriormente a problemas como doenças cardiovasculares e déficits cognitivos, os processos exatos que geram esses impactos ainda permanecem sob investigação científica. O novo estudo demonstra que plásticos comuns, que por sua definição química pura deveriam ser inertes por não conterem oxigênio em sua composição, conseguem gerar espécies reativas de oxigênio sob determinadas condições.

Para chegar a esses resultados, a equipe liderada pelo pesquisador Wei Min analisou micropartículas de poliestireno, polietileno e polipropileno utilizando microscopia de fluorescência e espectroscopia de ressonância de spin eletrônico. Os testes revelaram a formação espontânea de radicais hidroxila na interface entre o plástico e o meio aquoso, um fenômeno impulsionado por cargas elétricas superficiais que facilitam a retirada de elétrons de íons hidróxido.

Além da interação com a água, os experimentos indicam que o mesmo processo ocorre, de maneira menos intensa, ao colocar as partículas em contato com o soro sanguíneo. Nesses cenários laboratoriais, as cargas elétricas geradas também atraíram moléculas como o DNA para a superfície dos fragmentos, apresentando indícios de danos potenciais a proteínas e glóbulos vermelhos.

Apesar do avanço na compreensão química do fenômeno, os cientistas ressaltam que ainda não é possível mensurar com precisão a magnitude dos riscos para a saúde humana. Fatores como a quantidade real de partículas presentes no organismo, a capacidade de eliminação por parte do corpo e o tamanho dos fragmentos influenciam diretamente na forma como o material interage com os tecidos biológicos.

Segundo especialistas ouvidos sobre o tema, a área superficial total das partículas aumenta consideravelmente à medida que elas se fragmentam em tamanhos menores, elevando as possibilidades de contato com o ambiente ao redor. Por outro lado, substâncias como os lipídios presentes nos pulmões humanos podem envolver os microplásticos, atuando de maneira semelhante a surfactantes laboratoriais que demonstraram reduzir a produção de radicais livres durante os testes.

A investigação também avaliou o comportamento de diferentes tipos de materiais poliméricos. Os resultados apontaram que plásticos mais hidrofóbicos, a exemplo do polietileno e do polipropileno, exibiram maior atividade na geração de radicais quando comparados a materiais hidrofílicos, como o politereftalato de etileno, conhecido como PET.

Enquanto a comunidade científica segue avançando no entendimento dessas interações microscópicas, novos estudos serão necessários para confirmar se o mecanismo observado em laboratório realmente se concretiza no corpo humano, determinando assim quais seriam as reais consequências para a saúde pública a longo prazo.

Fontes consultadas

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