EUA criam escritório antidrogas no Paraguai para coordenar o Cone Sul
Iniciativa faz parte de uma nova aliança regional de segurança e inclui o envio inédito de um conselheiro de contraterrorismo para Assunção.
O governo dos Estados Unidos anunciou a abertura de um escritório antinarcóticos na cidade de Assunção, capital do Paraguai, com o objetivo de coordenar operações e programas de segurança em toda a região do Cone Sul. A medida foi divulgada pelo Departamento de Estado americano após uma série de reuniões diplomáticas em solo paraguaio.
Para formalizar os acordos e estreitar os laços bilaterais, o subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, viajou ao país sul-americano nesta semana. Durante sua estadia, ele manteve encontros oficiais com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e com o chanceler Rubén Ramírez.
Como parte da nova cooperação, os Estados Unidos destinarão um montante de 5,5 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 27,6 milhões de reais. Os recursos serão direcionados para ampliar o suporte ao combate contra o financiamento do terrorismo e viabilizar a implantação de um novo centro voltado para essa finalidade no Paraguai.
Além da instalação do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL), o Departamento de Estado informou que enviará, pela primeira vez na história diplomática entre os dois países, um conselheiro de embaixada especializado em assuntos de contraterrorismo para atuar permanentemente em Assunção.
A nova estrutura funcionará como um polo regional de articulação e ajudará a supervisionar os compromissos firmados no âmbito do Escudo das Américas. Trata-se de uma aliança de segurança e combate ao narcotráfico impulsionada pelo governo do presidente Donald Trump, que busca aproveitar o cenário político de alinhamento conservador na América Latina.
A criação dessas bases de atuação e cooperação ocorre na sequência de um decreto assinado por Trump após seu retorno à Casa Branca. Por meio da medida, os principais cartéis de drogas e organizações criminosas da América Latina passaram a ser classificados oficialmente como organizações terroristas, rótulo que agora abrange inclusive facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.
A coalizão de segurança liderada pelos norte-americanos conta atualmente com a adesão de 19 parceiros regionais engajados na desarticulação de cartéis. No entanto, embora muitos governos tenham integrado a aliança política e militar, apenas nações específicas, como Colômbia e Honduras, autorizaram formalmente a realização de operações conjuntas em seus territórios sob essa nova diretriz.