EUA pediram que Flávio retirasse trecho de carta após autoproclamação
Governo americano avaliou que expressão utilizada pelo senador derrotado poderia gerar desgaste diplomático com o Brasil.
O senador derrotado nas eleições presidenciais Flávio Bolsonaro alterou o teor de uma carta divulgada nas redes sociais na última quarta-feira após um pedido direto do governo dos Estados Unidos. Diplomatas que acompanharam o caso relataram que assessores do Departamento de Estado americano solicitaram a remoção do trecho em que o parlamentar se autoproclamava 'presidente eleito' do Brasil.
A avaliação das autoridades norte-americanas foi a de que a manutenção da expressão poderia ser interpretada como um reconhecimento oficial do resultado eleitoral favorável ao senador por parte de Washington, o que resultaria em um atrito nas relações diplomáticas com o governo brasileiro. Diante da manifestação, a publicação original foi apagada e substituída por uma nova versão, na qual o termo foi trocado por 'líder do Brasil'.
Apesar da alteração exigida pelos Estados Unidos, o documento manteve alegações de fraude no pleito eleitoral sem a apresentação de provas. No texto, o parlamentar também agradeceu aos presidentes Donald Trump e Javier Milei e afirmou estar em segurança em território norte-americano ao lado de sua família, negando ter fugido da justiça brasileira e classificando a situação como perseguição política.
A viagem de Flávio aos Estados Unidos ocorreu a bordo de um jato particular que partiu da Argentina após escalas, descumprindo uma determinação do Supremo Tribunal Federal que o proibia de deixar o país. A Polícia Federal investiga como o senador conseguiu cruzar o território brasileiro até a fronteira sem levantar suspeitas em tempo hábil.
A repercussão da carta gerou forte isolamento político e críticas severas entre lideranças da direita e aliados. O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, declarou publicamente que a legenda não aprova o teor do documento. Segundo Valdemar, o partido deseja tocar o país e a sigla para a frente, compreendendo as dificuldades pessoais do senador, mas rejeitando a postura adotada.
O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial de Flávio, também se manifestou contrariamente às acusações de fraude, afirmando que o partido não pode fazer tais afirmações por total ausência de provas. Outras legendas e lideranças políticas, incluindo o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes e a senadora Teresa Cristina, reforçaram a necessidade de respeito ao resultado oficial das urnas proclamado pela Justiça Eleitoral.
Em resposta aos questionamentos levantados na carta sobre a lisura do pleito, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kássio Nunes Marques, emitiu uma nota enfatizando que as eleições transcorreram dentro de absoluta normalidade e segurança. O magistrado destacou que eventuais recursos legais serão devidamente analisados pela Corte, ressaltando o caráter inclusivo e transparente do processo de votação.
Fontes consultadas
- Presidente do PL diz que não aprova carta em tom golpista publicada por Flávio Bolsonaro | G1 g1.globo.com
- Flávio trocou ‘presidente eleito’ por ‘líder do Brasil’ em carta após pedido dos EUA - Blog do BG blogdobg.com.br
- Presidente do PL diz que Flávio se despediu do pai antes de ir para EUA, e depois corrige: 'Bolsonaro não sabia' valor.globo.com
- EUA mandaram Flávio retirar expressão 'presidente eleito' de carta para evitar crise com Brasil, diz TV terra.com.br
- Flávio divulga carta com tom golpista após derrota e fuga do Brasil correiobraziliense.com.br