Ex-banqueiro acusa Kassab de receber comissão por investimentos no Banco Master
Declaração foi feita por Daniel Vorcaro em tentativa de colaboração premiada, enquanto o presidente do PSD nega as irregularidades.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma tentativa de acordo de colaboração premiada, que Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, teria recebido comissões do Banco Master para estimular investimentos de fundos previdenciários públicos na instituição financeira. As informações foram divulgadas pelo colunista Thiago Herdy, do Metrópoles, e detalham transações que envolveram recursos de previdências estaduais e municipais entre os anos de 2023 e 2024.
Segundo o relato apresentado por Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, Kassab teria se comprometido a incentivar administrações municipais do PSD ou de grupos aliados a aplicar recursos de previdência em letras financeiras do Master. Em contrapartida, a instituição financeira pagaria comissões pelas captações realizadas, sendo os pagamentos efetuados em dinheiro vivo a consultores e agentes públicos, conforme o ex-banqueiro.
Em nota oficial, Gilberto Kassab classificou as declarações como absolutamente fantasiosas e negou ter recebido valores ou atuado para direcionar investimentos para o banco. O dirigente partidário também afirmou que nunca tratou de doações com Vorcaro ou representantes do Master e que não autorizou terceiros a falar em seu nome.
Dados do governo federal indicam que 21 regimes próprios de previdência de estados e municípios investiram, juntos, R$ 1,88 bilhão em letras financeiras do Banco Master no período analisado. O maior volume foi aportado pelo RioPrevidência, que administra os recursos dos servidores do estado do Rio de Janeiro, totalizando R$ 970 milhões, seguido pelo fundo do Amapá com R$ 400 milhões.
As letras financeiras do banco não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Dessa forma, caso ocorra uma eventual liquidação da instituição emissora, os investidores passam a integrar a lista de credores e ficam sujeitos a sofrer perdas significativas nos valores aplicados.
Em paralelo aos desdobramentos financeiros, o escândalo envolvendo o Banco Master também reverbera no Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria-Geral da República posicionou-se contra a investigação do ministro André Mendonça por suposto abuso de autoridade na condução de investigações ligadas ao banco e a fraudes no INSS, argumentando que relatórios de inteligência da Polícia Federal não possuem valor probatório.