Flávio Bolsonaro fica sem cargo eletivo após derrota na eleição presidencial
Derrotado no segundo turno por Luiz Inácio Lula da Silva, senador encerrará seu mandato no início de 2027 e ficará fora de cargos públicos pela primeira vez em mais de duas décadas.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) ficará sem cargo eletivo pela primeira vez em mais de 20 anos após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial realizado neste domingo. Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2002, Flávio cumpriu quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro antes de chegar ao Senado Federal em 2019, abrindo mão de disputar a reeleição para concorrer ao Palácio do Planalto.
A disputa presidencial deste ano marcou uma virada inédita e a segunda derrota consecutiva do bolsonarismo para a esquerda nas urnas. Escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para representar o campo conservador, Flávio surpreendeu as expectativas iniciais ao terminar o primeiro turno à frente na corrida eleitoral, mas acabou superado por Lula na etapa definitiva do pleito.
Mesmo sem mandato a partir de fevereiro de 2027, aliados avaliam que o senador deve se manter como uma das principais figuras do grupo político. No entanto, o resultado reabre discussões internas na direita sobre a renovação e a liderança do movimento para o horizonte de 2030, quando Lula não poderá mais disputar um novo mandato presidencial.
Além do futuro político, a saída do Senado traz implicações para os inquéritos enfrentados por Flávio Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. De acordo com regras da Corte estabelecidas em 2025, o fim do mandato não resulta automaticamente na transferência dos processos para a primeira instância, desde que haja conexão dos fatos com o exercício das funções públicas ou com outras investigações em andamento no tribunal.
Entre as apurações em curso no Supremo sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes e de outros magistrados estão investigações sobre o financiamento de uma produção audiovisual sobre a eleição de 2018, empréstimos imobiliários sob escrutínio da Polícia Federal, relações com empresas financeiras e acusações de calúnia. A defesa do parlamentar tem negado irregularidades em todas as operações mencionadas pelas autoridades.
Enquanto a família Bolsonaro perde o primogênito nos cargos eletivos federais de representação executiva, o clã manterá assentos no Parlamento com os senadores eleitos Carlos Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Outros nomes da direita, como o governador paulista Tarcísio de Freitas e o deputado federal Nikolas Ferreira, também passam a ser cotados para influenciar os rumos do campo conservador nos próximos anos.
Fontes consultadas
- Em virada inédita, Flávio protagoniza segunda derrota consecutiva do bolsonarismo e força direita a discutir renovação oglobo.globo.com
- Se vencer, Flávio será 3º presidente mais jovem; Lula, o mais velho | CNN Brasil cnnbrasil.com.br
- Flávio perde eleição: o que muda nos inquéritos contra ele? metropoles.com