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Política

Flávio Bolsonaro lidera primeiro turno e vai ao segundo turno no Brasil

Candidato opositor superou o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva por margem estreita, definindo a disputa para o próximo dia 25 de outubro.

Por 3 min de leitura

Flávio Bolsonaro lidera primeiro turno e vai ao segundo turno no Brasil
Flávio Bolsonaro lidera primeiro turno e vai ao segundo turno no Brasil

O senador Flávio Bolsonaro, representante da oposição de ultradireta e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, obteve uma vantagem surpreendente sobre o atual mandatário Luiz Inácio Lula da Silva na primeira volta das eleições presidenciais brasileiras realizadas no último domingo. Com 99% das urnas apuradas, o candidato do Partido Liberal alcançou entre 47,11% e 47,2% dos votos válidos, superando o atual chefe do Executivo, que registrou entre 44,9% e 45,07%. Como nenhum dos concorrentes atingiu a maioria absoluta necessária para definir o pleito no primeiro estágio, a disputa será decidida em segundo turno marcado para o próximo dia 25 de outubro.

O resultado contrariou a maioria das pesquisas de intenção de voto divulgadas nas semanas anteriores ao pleito, que apontavam Lula com vantagem de um dígito. A divergência entre os prognósticos e o resultado oficial gerou reações e críticas do campo conservador em relação aos institutos de pesquisa. O desempenho de Flávio Bolsonaro foi impulsionado por votações expressivas nos estados das regiões Sul e Sudeste, com destaque para lideranças nos maiores colégios eleitorais do país, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em contrapartida, Lula manteve vantagem em redutos tradicionais da região Nordeste.

Na região do Grande ABC, em São Paulo, o avanço da corrente conservadora também ficou evidente. Segundo dados regionais, Lula venceu em quatro das sete cidades locais — São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá e Rio Grande da Serra —, enquanto Flávio Bolsonaro ganhou em Santo André, São Caetano do Sul e Ribeirão Pires, município onde a oposição assumiu a liderança em relação ao pleito anterior de 2022.

O cenário eleitoral repercutiu fortemente nos mercados financeiros nacionais e internacionais. A bolsa brasileira Bovespa registrou alta superior a 8% na segunda-feira, enquanto ações de instituições financeiras e empresas estatais e de capital misto, como Petrobras e Nubank, acumularam valorizações expressivas superiores a 13%. Analistas financeiros apontaram que o resultado gerou otimismo entre investidores quanto à possibilidade de adoção de medidas econômicas mais voltadas ao mercado e flexibilização de taxas de juros.

No âmbito internacional, a eleição brasileira atraiu a atenção de líderes globais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a vantagem de Flávio Bolsonaro como uma grande vitória, embora tenha avaliado que o segundo turno será uma disputa muito renhida. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, evitou antecipar prognósticos e afirmou que aguardará o desfecho do pleito de 25 de outubro. Paralelamente, o governo de Lula tem denunciado ações diplomáticas e econômicas recentes de Washington como tentativas de interferência eleitoral.

Especialistas em comércio internacional e agronegócio também analisaram os possíveis impactos econômicos de um eventual governo liderado por Flávio Bolsonaro para parceiros regionais, como a Argentina. Segundo analistas consultados, uma vitória do candidato do Partido Liberal poderia gerar maior sintonía política com o governo de Javier Milei, favorecendo a competitividade de exportações agrícolas argentinas, a valorização do real e uma maior flexibilidade nas negociações comerciais e acordos externos do Mercosur. Em contrapartida, a continuidade de uma gestão petista manteria o cenário comercial atual, embora com previsível distanciamento diplomático e cautela dos mercados diante do quadro fiscal.

Fontes consultadas

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