Pular para o conteúdo
Economia

Governo dos EUA anuncia acordo para usar energia de Itaipu

Parceria entre empresas americana e paraguaia prevê estrutura de computação abastecida pela hidrelétrica binacional a partir de 2027.

Por 3 min de leitura

Governo dos EUA anuncia acordo para usar energia de Itaipu
Governo dos EUA anuncia acordo para usar energia de Itaipu

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta semana uma parceria estratégica entre a empresa americana Crusoe e a desenvolvedora paraguaia Araico para a construção de uma estrutura de computação de alto desempenho abastecida pela energia da usina hidrelétrica de Itaipu, situada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. O projeto, divulgado durante a visita do vice-secretário de Estado americano Christopher Landau a Assunção, tem previsão para iniciar as operações em meados de 2027 e visa atender clientes de serviços de computação em nuvem nos Estados Unidos e na América Latina.

O anúncio foi formalizado pelo Departamento de Estado norte-americano no contexto de uma série de iniciativas para ampliar a cooperação econômica e de segurança com o Paraguai. Contudo, o comunicado oficial não detalhou o volume exato de energia contratada, a capacidade de geração destinada ao projeto ou o valor do investimento realizado pelas companhias envolvidas. O Brasil, que administra a usina em conjunto com o Paraguai, não foi mencionado diretamente no comunicado inicial das autoridades dos Estados Unidos.

Fontes familiarizadas com o acordo bilateral entre brasileiros e paraguaios apontam que a movimentação está dentro das normas previstas, que permitem ao Paraguai utilizar sua cota de energia para atrair investimentos externos. Negociadores indicam que a iniciativa não deve desestabilizar o mercado brasileiro, visto que o país tem lidado nos últimos anos com uma oferta decrescente da usina após décadas de exclusividade sobre a energia excedente.

Durante sua estadia no Paraguai, o representante do governo americano reuniu-se com o presidente Santiago Peña e com o ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano. Juan Pablo Segura, secretário de Estado assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, destacou a importância da represa paraguaia para a estratégia tecnológica e econômica regional. "A segurança energética é segurança econômica. A represa de Itaipu demonstra o enorme potencial do Paraguai como centro energético regional, onde as empresas norte-americanas podem acessar energia acessível e confiável", declarou.

Além da infraestrutura voltada à inteligência artificial e computação, a visita da delegação empresarial dos Estados Unidos resultou em outros acordos comerciais e financeiros. A Uranium Energy Corp anunciou um aporte de 12 milhões de dólares para o desenvolvimento de uma concessão de urânio em território paraguaio. As tratativas também abrangeram setores como tecnologia, minerais críticos, infraestrutura fluvial e logística.

Na área de segurança e defesa, os governos firmaram um Acordo de Assistência para Interceptação Aérea, desenhado para fortalecer a capacidade do Paraguai no monitoramento e na proteção do espaço contra voos suspeitos de narcotráfico. Pacotes financeiros adicionais foram destinados ao combate ao financiamento do terrorismo, ao crime organizado transnacional e ao reforço das fronteiras, incluindo a instalação inédita de um escritório do bureau de entorpecentes em Assunção.

Por fim, Estados Unidos e Paraguai deram início a negociações formais para um acordo de cooperação voltado ao uso pacífico da energia nuclear. Se ratificado, o pacto criará um marco legal para a exportação de equipamentos e materiais nucleares americanos para o Paraguai, obedecindo a rígidos padrões internacionais de segurança e de não proliferação.

Fontes consultadas

Leia também