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Economia

Grupo SHC, representante da JAC Motors, pede recuperação judicial

Conglomerado liderado por Sergio Habib busca reestruturar passivo de R$ 239,5 milhões após queda expressiva nas vendas de veículos no mercado brasileiro.

Por 2 min de leitura

Grupo SHC, representante da JAC Motors, pede recuperação judicial
Grupo SHC, representante da JAC Motors, pede recuperação judicial

O Grupo SHC, empresa responsável pela representação da JAC Motors no Brasil e comandada pelo empresário Sergio Habib, protocolou um novo pedido de recuperação judicial. A medida, que abrange 44 empresas ligadas ao conglomerado, foi oficializada em 6 de outubro de 2026 e declara um passivo total de R$ 239,5 milhões.

Antes de recorrer formalmente à Justiça, a companhia tentou negociar com credores uma reestruturação extrajudicial para manter parte dos débitos fora do processo. Entre as pendências, destaca-se a exposição de um grande banco com valor superior a R$ 100 milhões. Além disso, instituições financeiras e fundos têm relatado dificuldades para localizar e retomar veículos dados como garantia nas operações de crédito.

Este é o segundo processo de recuperação judicial enfrentado pelo Grupo SHC. O primeiro teve início em novembro de 2018, período em que o conglomerado acumulava dívidas expressivas atribuídas à retração geral do mercado automotivo, ao impacto do programa Inovar-Auto e ao fim da parceria de longa data com a Citroën. O plano anterior foi homologado em setembro de 2019 e encerrado oficialmente em maio de 2025, cerca de um ano e cinco meses antes do atual protocolo.

O novo revés financeiro ocorre em um momento de acentuado encolhimento da marca JAC Motors no país. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores indicam que os emplacamentos de automóveis e comerciais leves da montadora registraram forte queda de 51,1% em 2025, totalizando 988 unidades comercializadas, frente a 2.022 veículos emplacados no ano anterior.

Para tentar se sustentar no cenário nacional, a operação passou por um enxugamento estrutural drástico. A rede física foi reduzida a unidades localizadas em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, contando atualmente com 142 pontos de assistência credenciada. O portfólio de produtos também mudou, com foco voltado para canais digitais de venda e para a comercialização de picapes movidas a diesel, a exemplo do modelo Hunter.

O ambiente macroeconômico brasileiro também pressiona os negócios do setor. Com a taxa básica de juros Selic em patamares elevados, o custo de empréstimos e o financiamento de estoques tornaram-se mais onerosos para as empresas. O caso da representante da JAC Motors soma-se a outros pedidos recentes de reestruturação financeira de grandes redes e companhias no país, intensificados pela restrição de crédito e pela desaceleração do consumo.

Fontes consultadas

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