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Brasil

Homem denuncia espancamento por seguranças na Praia do Futuro, em Fortaleza

Comerciante de 53 anos afirma ter sido agredido injustamente após ser acusado de furto no Complexo Crocobeach.

Por 3 min de leitura

Homem denuncia espancamento por seguranças na Praia do Futuro, em Fortaleza
Homem denuncia espancamento por seguranças na Praia do Futuro, em Fortaleza

Um comerciante baiano de 53 anos, identificado como Adilson Alves Viana, denunciou ter sido vítima de agressões físicas e racismo praticados por seguranças do Complexo Crocobeach, localizado na Praia do Futuro, em Fortaleza. O caso ocorreu na manhã de terça-feira (13), após o homem ser acusado de roubar a bolsa de uma frequentadora da praia.

Segundo os relatos da família e da própria vítima, Adilson estava sozinho na região e retornava do mar em direção à sua motocicleta quando foi abordado por quatro seguranças do estabelecimento. Ele foi acusado de furtar uma bolsa com base em uma descrição genérica e, mesmo negando qualquer envolvimento, acabou imobilizado com um golpe de mata-leão.

A violência física resultou em ferimentos graves. De acordo com os familiares e o depoimento do comerciante, os agressores utilizaram um objeto semelhante a um pedaço de mangueira com uma corrente ou ferro em seu interior para desferir golpes. Adilson teve um dente quebrado, um corte profundo no supercílio, o nariz inchado e diversos hematomas pelo corpo.

Após perder a consciência em razão dos golpes e da falta de ar, o homem foi abandonado desacordado na faixa de areia, próximo à água. Ele só retomou os sentidos ao sentir o mar encostar em seus pés. Ao tentar retornar ao estabelecimento para lavar o rosto e buscar explicações, foi novamente impedido pelos seguranças e colocado para fora do local.

A esposa e os filhos de Adilson conseguiram localizá-lo após uma comerciante de uma barraca vizinha atender o telefone celular da vítima, que tocava insistentemente. O comerciante foi inicialmente socorrido e levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), sendo posteriormente transferido para o Hospital Distrital Maria José Barroso de Oliveira e, em seguida, para o Instituto Doutor José Frota (IJF), onde passou por exames de imagem e suturas.

A família registrou um Boletim de Ocorrência e aponta motivações racistas na abordagem. A filha da vítima, Alessandra Viana, declarou que o pai foi alvo da violência "simplesmente por ele ser negro, ser pobre", destacando que ele estava sem camisa por estar na praia e que era o único homem negro na situação. A defesa da família solicitou imagens de câmeras de segurança para esclarecer o ocorrido.

Em nota oficial, o Complexo Crocobeach afirmou que lamenta profundamente a situação, prestou solidariedade à família e declarou repudiar qualquer forma de violência ou discriminação. A empresa informou que está colaborando com as autoridades policiais e que acompanhará a apuração dos fatos. O caso é investigado formalmente pela Polícia Civil do Ceará, por meio do 15º Distrito Policial.

Fontes consultadas

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