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Brasil

Indígenas denunciam ameaças de invasão na Terra Indígena Apyterewa

Mensagens de áudio apontam risco de ocupações ilegais no Pará em meio ao segundo turno das eleições presidenciais.

Por 3 min de leitura

Indígenas denunciam ameaças de invasão na Terra Indígena Apyterewa
Indígenas denunciam ameaças de invasão na Terra Indígena Apyterewa

Comunidades indígenas da etnia parakanã que habitam a Terra Indígena Apyterewa, no Pará, denunciaram a circulação de mensagens de áudio via WhatsApp com ameaças de ocupações ilegais em seus territórios. O conteúdo aponta para a expectativa de reativação de assentamentos de pecuaristas na região caso ocorra uma vitória do candidato Flávio Bolsonaro na disputa do segundo turno presidencial, marcada para o próximo dia 25 de outubro.

A denúncia veio a público após a divulgação de uma reportagem jornalística que obteve oito gravações com indícios de planejamento de invasões. Os registros mencionam tanto o pleito federal quanto as expectativas em relação à atuação do governador eleito do Pará, Daniel Santos, do partido Podemos, sob a crença de que a nova administração estadual poderia favorecer a entrega de terras a produtores rurais.

Investigadores e veículos de imprensa verificaram a autenticidade dos arquivos por meio da análise de metadados e consultas a fontes locais, confirmando a origem dos áudios nos arredores da reserva. Por motivos de segurança, a identidade dos emissores e a transcrição exata das conversas foram mantidas em sigilo. Questionadas antes da publicação, a campanha do candidato e a gestão estadual optaram por não se manifestar.

Diante do cenário de alerta, órgãos federais intensificaram o monitoramento na região amazônica. A Polícia Federal, o Instituto Brasileiro do Medio Ambiente e dos Recursos Renováveis, a Fundação Nacional dos Pueblos Indígenas e o Ministério dos Povos Indígenas integraram ações coordenadas para supervisionar a área ameaçada.

O Comitê de Desintrusión do Governo federal deliberou pelo envio de reforços de segurança para o local, com o objetivo de impedir novas entradas não autorizadas e assegurar a continuidade das operações de retirada de invasores. A reserva, delimitada formalmente no ano de 2007, possui uma extensão de 773 mil hectares situada no município de São Félix do Xingu.

O território indígena possui um histórico recorrente de conflitos, desmatamento e ocupações irregulares, tendo sido alvo de um processo de desintrusão iniciado em 2023 para restaurar o uso exclusivo da terra aos moradores originários. Durante ações anteriores de fiscalização e remoção de gado ilegal, registraram-se episódios de violência, incluindo confrontos e ataques a agentes públicos.

Além das ameaças de invasão ligadas ao pleito eleitoral, autoridades investigam as causas de um aumento expressivo nos focos de incêndio florestal na reserva nos últimos meses. Dados estatísticos apontam um crescimento exponencial de queimadas, passando de 41 registros em julho para centenas nos meses seguintes, levantando suspeitas sobre possíveis ações criminosas voltadas a pressionar o território.

Fontes consultadas

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