Influenciadora investigada por ligação com máfia tem cabeça avaliada
Investigação da Polícia Federal aponta que Paula Simões, apontada como herdeira operacional de esquema da 'Ndrangheta, foi ameaçada por integrantes da facção italiana.
A influenciadora digital Paula Simões Assisi, de 34 anos, teve a cabeça avaliada em 250 mil euros por integrantes da máfia italiana 'Ndrangheta, segundo aponta uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF). O caso veio a público após a deflagração da Operação Eredità, realizada em setembro, que resultou na prisão da influenciadora e do advogado Patrick Cardoso por suspeita de envolvimento com o tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
De acordo com a PF, as ameaças contra Paula ocorreram após a cúpula da organização criminosa descobrir um relacionamento extraconjugal entre ela e o advogado Patrick Cardoso, entre 2019 e 2023. Os mafiosos alegaram que ela estaria usufruindo de viagens e luxos financiados pelo narcotráfico e alertaram que a logística do tráfico poderia sofrer retaliações caso ela não se afastasse do suspeito, além de cobrarem a quitação de débitos referentes a carregamentos de cocaína.
A investigação policial indica que Paula assumiu o papel de herdeira operacional do esquema criminoso no Brasil após a prisão de seu marido, Patrick Assisi, e de seu sogro, Nicola Assisi, ocorridas em julho de 2019 na cidade de Praia Grande, no litoral paulista. Os dois homens são apontados como membros da 'Ndrangheta, clã originário da Calábria que utilizava o Porto de Paranaguá, no Paraná, para enviar grandes remessas de entorpecentes para o território europeu.
Utilizando o codinome 'Chanel' em um aplicativo de mensagens criptografadas, a influenciadora atuava na coordenação de carregamentos de cocaína e na movimentação financeira da facção entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021, conforme registros analisados pelas autoridades. A apuração também revelou conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e com o doleiro Tharek Mourad Mourad, com quem movimentou mais de US$ 6 milhões por meio de um sistema ilícito utilizando tokens.
O advogado Patrick Cardoso também é apontado como peça central na estrutura criminosa. A polícia aponta que ele atuava como intermediário em contatos com traficantes internacionais, transmitia ordens de detentos e participava ativamente da lavagem de dinheiro do esquema, incluindo a aquisição de uma mansão avaliada em R$ 1,6 milhão e a utilização de notas fiscais falsas. Imagens recuperadas em seu celular continham registros de grandes somas em dinheiro e drogas.
No total, a estrutura investigada pelo Ministério Público Federal está associada a 11 apreensões que somam mais de 4,6 toneladas de cocaína. A Operação Eredità cumpriu mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões, além de medidas para o bloqueio judicial de bens dos suspeitos, que podem responder por crimes como tráfico internacional, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Em manifestações divulgadas à imprensa, a defesa de Paula Simões negou todas as acusações, destacando que nenhuma droga foi apreendida com ela e que a continuidade das atividades ilícitas após a prisão dos Assisi seria apenas uma inferência policial sem comprovação fática. Os defensores de Patrick Cardoso afirmaram que ele sempre atuou estritamente dentro dos limites da advocacia ao longo de seus 25 anos de carreira e solicitaram a revogação da prisão preventiva.