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Política

Investigações sobre gestões federais reúnem dezenas de alvos na Justiça

Levantamento aponta 18 investigados ou condenados ligados ao governo Bolsonaro e seis associados à administração Lula.

Por 3 min de leitura

Investigações sobre gestões federais reúnem dezenas de alvos na Justiça
Investigações sobre gestões federais reúnem dezenas de alvos na Justiça

Um levantamento recente divulgado no cenário nacional aponta que ex-integrantes das administrações federais lideradas por Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva enfrentam processos judiciais e investigações em diferentes instâncias. Enquanto a gestão de Jair Bolsonaro soma 18 antigos auxiliares e dirigentes envolvidos em apurações e condenações, o terceiro mandato do presidente Lula contabiliza seis casos sob análise da Justiça.

No grupo associado ao governo anterior, governado entre 2019 e 2022, o núcleo principal de condenações envolve acusações de tentativa de golpe de Estado. O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar e nega qualquer articulação para romper o processo democrático. As decisões do Supremo Tribunal Federal também atingiram ex-ministros como Walter Braga Netto, Paulo Sérgio de Oliveira, Augusto Heleno e Anderson Torres, além de comandantes militares e ex-diretores de órgãos federais, cujas defesas contestam as sentenças e preveem recursos.

A condução da pandemia de Covid-19 figura entre os pontos de apuração em ambas as administrações. Na gestão passada, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello responde a uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal, que aponta um prejuízo estimado em R$ 122 milhões aos cofres públicos pela suposta negligência na compra de vacinas em 2020 e priorização de medicamentos sem eficácia. A defesa do general considera a ação improcedente e atribui a responsabilidade jurídica à Advocacia-Geral da União.

Por sua vez, o governo atual também registra investigações na área de saúde pública relativas ao período pandêmico. O senador e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa é investigado pelo Superior Tribunal de Justiça devido a uma aquisição de respiradores realizada quando geria o estado da Bahia e presidia o Consórcio Nordeste. O processo apura o pagamento antecipado de R$ 48,7 milhões por equipamentos que nunca foram entregues, embora a defesa sustente que a compra ocorreu em caráter de emergência sanitária.

Outras frentes de investigação na administração anterior envolvem supostas irregularidades ambientais e ligações financeiras. O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e o ex-presidente do Ibama Eduardo Bim figuram como réus em uma ação penal sobre exportação irregular de madeira amazônica. A Procuradoria-Geral da República pediu recentemente a absolvição de Salles por insuficiência de provas, enquanto o ex-ministro celebrou a manifestação e alegou inocência diante das acusações da Polícia Federal.

No atual governo, ex-ministros como Silvio Almeida e Juscelino Filho deixaram seus cargos após enfrentarem denúncias formais apresentadas pela Procuradoria-Geral da República. Almeida foi denunciado por suspeita de importunação sexual contra a ex-ministra Anielle Franco, ao passo que Juscelino Filho responde a acusações de corrupção e desvio de emendas parlamentares. Ambos negam a prática de crimes e sustentam que as denúncias carecem de comprovação definitiva de culpa.

O levantamento também abrange desdobramentos paralelos, incluindo investigações sobre fraudes em benefícios previdenciários no Instituto Nacional do Seguro Social e apurações sobre transações financeiras envolvendo figuras do cenário político nacional. As investigações tramitam em tribunais superiores e na Justiça Federal, sem previsão definitiva para a conclusão de todos os processos em andamento.

Fontes consultadas

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