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Brasil

Jovem supera desafios e passa em medicina na Unicamp

Estudante de escola pública, Kelly Cristina contou com apoio da mãe para vencer a pressão familiar e conquistar uma vaga no ensino superior.

Por 3 min de leitura

Jovem supera desafios e passa em medicina na Unicamp
Jovem supera desafios e passa em medicina na Unicamp

Aos 18 anos, Kelly Cristina Almeida Souza foi aprovada no curso de medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) após um ano de preparação intensa e direto do terceiro ano do ensino médio. Estudante de escola pública de Campo Limpo Paulista, em São Paulo, ela não possuía recursos financeiros para pagar um cursinho preparatório e precisou estruturar um método próprio de estudo baseado em videoaulas gratuitas, provas anteriores e apoio de professores.

A decisão de cursar medicina ia na contramão das expectativas de parte de seus familiares que, com crenças muito religiosas, esperavam que ela priorizasse o casamento em vez da carreira acadêmica. A principal incentivadora de sua trajetória foi a mãe, uma técnica de enfermagem aposentada que ganhava cerca de um salário mínimo e sustentava a casa com quatro filhos, enfrentando uma situação financeira bastante delicada.

Para tentar mudar o cenário econômico da família, Kelly começou a trabalhar no caixa de uma padaria aos 16 anos com o objetivo de juntar dinheiro e comprar um computador. A reviravolta nos planos ocorreu durante o segundo ano do ensino médio, quando participou do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por sugestão de uma professora de língua portuguesa e obteve 920 pontos na redação, o que a estimulou a considerar a medicina.

Com o incentivo da mãe, que foi pessoalmente até o estabelecimento comercial comunicar que a jovem deixaria o emprego, Kelly passou a dedicar cerca de oito horas diárias aos estudos de segunda a sexta-feira. A rotina era combinada com os cuidados prestados aos três irmãos mais novos e a realização de tarefas domésticas, mantendo os sábados voltados para simulados e os domingos reservados para o descanso.

O processo, contudo, foi marcado por momentos de forte ansiedade e insegurança. Nos primeiros simulados, a estudante ficava com notas abaixo das notas de corte dos vestibulares, gerando frustração. Para lidar com a pressão psicológica, ela adotou a prática de yoga e meditação durante a pandemia, realizando os exercícios diariamente e buscando manter o foco em seus objetivos.

A tensão aumentou na semana que antecedeu a primeira fase da Unicamp, quando Kelly sofreu uma crise de ansiedade. Para reverter o quadro, a mãe a levou para conhecer o campus da instituição universitária pela primeira vez, fortalecendo sua confiança para a realização do exame.

Aprovada na primeira chamada do vestibular de 2021 na 371ª posição por meio de modalidade de cotas para escola pública e pardos, Kelly também havia avançado para a segunda fase nos processos seletivos da USP e da Unesp, mas optou pela Unicamp por ter recebido o resultado de forma antecipada. Aos 23 anos, a estudante conclui sua graduação e se prepara para colar grau.

Fontes consultadas

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