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Jurista sul-africana Navi Pillay conquista o Nobel da Paz 2026

Anúncio do Comitê Nobel norueguês destacou a defesa do direito internacional e gerou reações no cenário político global.

Por 3 min de leitura

Jurista sul-africana Navi Pillay conquista o Nobel da Paz 2026
Jurista sul-africana Navi Pillay conquista o Nobel da Paz 2026

A jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, foi agraciada nesta sexta-feira (9) com o Prêmio Nobel da Paz de 2026. O anúncio, feito em Oslo pelo Comitê Norueguês do Nobel, reconheceu a trajetória da ativista em prol da justiça global, dos direitos humanos e do fortalecimento do direito internacional em um cenário marcado por crescentes conflitos armados.

Jorgen Watne Frydnes, presidente do comitê, ressaltou que a escolha de Pillay serve como um lembrete essencial de que a solução de disputas sem o uso da força depende do cumprimento do Estado de Direito internacional. O dirigente também alertou sobre as pressões e sanções enfrentadas atualmente por cortes e juízes internacionais, afirmando que a paz duradoura deve se apoiar em princípios jurídicos e não na vontade das potências.

Nascida em Durban em 1941, Pillay cresceu em meio ao regime de segregação racial do apartheid na África do Sul. Ela se tornou uma das primeiras mulheres não brancas a abrir um escritório de advocacia no país, atuando na defesa de opositores ao regime, incluindo presos políticos na penitenciária de Robben Island, como Nelson Mandela. Em 1995, foi nomeada para um Tribunal Superior e, posteriormente, indicada por Mandela para integrar o Tribunal Penal Internacional para Ruanda.

Ao longo de sua carreira internacional, a jurista acumulou importantes papéis em instituições multilaterais. Ela atuou como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014, além de ter exercido funções no Tribunal Penal Internacional e na Corte Internacional de Justiça. Entre 2021 e 2025, liderou uma comissão de investigação da ONU sobre os territórios palestinos e Israel, cujo relatório concluiu que ações israelenses na Faixa de Gaza configuravam genocídio.

A premiação gerou forte repercussão diplomática e críticas do governo de Israel. O Ministério das Relações Exteriores israelense condenou a escolha da jurista pelo comitê norueguês, argumentando que a decisão legitima o antissemitismo e falsas acusações contra o país. Por outro lado, a própria Pillay reagiu ao anúncio com descontração em um vídeo divulgado nas redes sociais, brincando com bom humor sobre a possibilidade de compartilhar a láurea após manifestações de aplausos.

O prêmio também recolocou em evidência o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que nos dias anteriores ao anúncio havia defendido publicamente sua indicação à honraria com base em sua atuação em conflitos internacionais. Embora o comitê não tenha citado Trump nominalmente, o discurso oficial e a escolha de uma defensora do multilateralismo foram interpretados como um contraponto direto às políticas de forte viés soberanista e às críticas e sanções aplicadas pela administração americana contra tribunais internacionais.

Fontes consultadas

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