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Economia

Justiça do Rio de Janeiro encerra processo de recuperação judicial da Americanas

Decisão ocorre após a varejista cumprir as metas de reestruturação estabelecidas com credores e registrar melhora em indicadores operacionais.

Por 3 min de leitura

Justiça do Rio de Janeiro encerra processo de recuperação judicial da Americanas
Justiça do Rio de Janeiro encerra processo de recuperação judicial da Americanas

A 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro decretou o encerramento da recuperação judicial da Americanas e de suas subsidiárias. A sentença, proferida após pareceres favoráveis do Ministério Público e do Administrador Judicial, reconhece que a companhia cumpriu integralmente as obrigações previstas no plano de reestruturação, aprovado anteriormente por 91% dos credores.

Com a decisão, a empresa deverá comunicar o Registro Público de Empresas e a Receita Federal para que o termo 'em Recuperação Judicial' seja removido de sua denominação social. O encerramento marca o fim de um período crítico iniciado em janeiro de 2023, quando a varejista revelou inconsistências contábeis que somavam cerca de R$ 20 bilhões, desencadeando uma crise financeira que levou a dívidas de aproximadamente R$ 43 bilhões.

Fernando Soares, CEO da Americanas, classificou o momento como uma virada de página fundamental para a organização. 'O encerramento da recuperação judicial, que contou com a confiança dos nossos sócios controladores, fornecedores e de um time incansável, chancela uma virada de página sem precedentes. A Americanas sofreu com todo o processo, mas sai mais forte e com fôlego renovado para retomar a posição de relevância no varejo físico brasileiro', afirmou o executivo.

Nos últimos dois anos, a varejista implementou um plano de readequação focado na eficiência operacional e no fortalecimento de suas lojas físicas. Segundo dados da companhia, houve um ganho operacional acumulado de cerca de R$ 500 milhões. No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou um crescimento de 9,3% nas vendas nas mesmas lojas, enquanto a receita bruta por metro quadrado avançou 10,3% no mesmo período.

Embora o processo de recuperação judicial tenha sido encerrado, a esfera criminal segue em curso. Em outubro, a Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia contra 12 ex-executivos da companhia, incluindo o ex-CEO Miguel Gutierrez, apontado como um dos líderes do esquema de fraude. Os réus respondem por crimes como associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado, em um desdobramento da Operação Disclosure, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

A investigação apontou que a antiga diretoria inflava resultados por meio de verbas publicitárias fictícias e ocultava operações de risco sacado. Enquanto o processo penal avança, a Americanas reforça que foi vítima de uma fraude estruturada e dolosa. A empresa declarou que segue comprometida com o crescimento de suas operações e com o fortalecimento de seu modelo de negócio, agradecendo a dedicação de seus associados e a confiança de parceiros e fornecedores durante o período de reestruturação.

Apesar da decisão favorável da Justiça estadual, a sentença ainda está sujeita a recursos. No mercado financeiro, a notícia do encerramento da recuperação judicial repercutiu positivamente, com as ações da varejista (AMER3) registrando alta de quase 7% no dia do anúncio, fechando cotadas a R$ 5,97 na B3.

Fontes consultadas

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