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Saúde

Médico é indiciado por lesão corporal e falsidade ideológica em MT

Investigação da Polícia Civil aponta complicações graves e sequelas permanentes em pacientes submetidas a cirurgias plásticas em Barra do Garças.

Por 2 min de leitura

Médico é indiciado por lesão corporal e falsidade ideológica em MT
Médico é indiciado por lesão corporal e falsidade ideológica em MT

A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu um inquérito policial e indiciou o médico Lucas Danillo Moreira de Jesus pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica, após apurar irregularidades e complicações em cirurgias plásticas realizadas em quatro pacientes no município de Barra do Garças.

O relatório final da investigação, conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia do município e relatado em 17 de agosto de 2026, foi encaminhado ao Poder Judiciário para que o Ministério Público possa avaliar o oferecimento da denúncia formal contra o profissional.

As apurações tiveram início após denúncias de pacientes que procuraram a delegacia para relatar insatisfação e problemas de saúde graves decorrentes de procedimentos realizados principalmente no ano de 2023. Entre as intervenções investigadas estão cirurgias de redução e levantamento das mamas, colocação ou substituição de próteses mamárias e lipoaspiração.

Durante o processo de investigação, a polícia reuniu prontuários médicos, documentos hospitalares, registros fotográficos, exames complementares e laudos de corpo de delito emitidos pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Profissionais de saúde que participaram dos atendimentos e do acompanhamento pós-operatório também prestaram depoimento.

As vítimas relataram sintomas como dores persistentes, assimetrias, cicatrizes e deformidades mamárias. Uma das mulheres informou ter enfrentado dificuldades de cicatrização e necrose das aréolas após passar por duas intervenções cirúrgicas nos anos de 2023 e 2024.

Os exames periciais confirmaram sequelas permanentes em dois dos casos analisados. Em uma das pacientes, o laudo apontou deformidades com comprometimento estético e cicatrizes; em outra, foram constatadas alterações definitivas nas mamas e nos mamilos. Nos outros dois casos avaliados, os critérios técnicos dos peritos não confirmaram a ocorrência de lesão corporal.

Além das lesões, o inquérito apontou indícios de falsidade ideológica associados ao prontuário médico de uma paciente. De acordo com as autoridades, o registro cirúrgico deixou de mencionar o rompimento de uma prótese mamária ocorrido durante a retirada do implante, caracterizando omissão de informação relevante no documento.

Em seu interrogatório, o médico negou qualquer tipo de negligência, imprudência ou imperícia na condução dos casos. O profissional argumentou que as intercorrências decorreram de fatores cirúrgicos inerentes aos procedimentos, de reações biológicas individuais e do processo particular de cicatrização de cada organismo, acrescentando que prestou o devido suporte pós-operatório e se manteve à disposição para intervenções reparadoras.

Fontes consultadas

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