Pular para o conteúdo
Política

Minas Gerais mantém tradição e reflete resultado presidencial

Com uma virada histórica no segundo turno, o estado reafirmou o papel de espelho político do país.

Por 3 min de leitura

Minas Gerais mantém tradição e reflete resultado presidencial
Minas Gerais mantém tradição e reflete resultado presidencial

Minas Gerais voltou a confirmar sua tradição histórica de funcionar como o "espelho" do Brasil nas eleições presidenciais, após uma virada inédita que garantiu o resultado nas urnas do segundo turno. Com 99,69% das urnas apuradas no estado, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa com 50,39% dos votos, enquanto o adversário Flávio Bolsonaro (PL) registrou 49,61%.

Em âmbito nacional, com 99,76% da apuração concluída, Lula obteve 51,75% dos votos e Flávio ficou com 48,25%. O desempenho consolidou mais um capítulo da mística política mineira, que desde a redemocratização repete rigorosamente o mesmo resultado das urnas em todo o território nacional.

A trajetória até a vitória em solo mineiro exigiu esforço estratégico das campanhas, visto que o estado representa o segundo maior colégio eleitoral do país, somando 16,3 milhões de eleitores, atrás apenas de São Paulo. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia conquistado uma vantagem expressiva de cerca de 588 mil votos, registrando 48,24% contra 43,33% do candidato petista.

Diante da desvantagem inicial, a campanha vitoriosa priorizou os 853 municípios mineiros na reta final do pleito, com foco na recuperação de eleitores abstencionistas e indecisos. Lula cumpriu agendas em cidades como Juiz de Fora e Ipatinga em meados de outubro, intensificando a presença no estado.

Por sua vez, a oposição encerrou os compromissos de campanha na sexta-feira anterior ao pleito em Belo Horizonte. Flávio Bolsonaro esteve acompanhado do governador eleito Cleitinho Azevedo e do deputado federal Nikolas Ferreira, buscando blindar a vantagem conquistada na primeira etapa da votação através da mobilização da direita no estado.

A precisão estatística de Minas Gerais em antecipar o vencedor da Presidência da República ocorre sem exceções na Nova República desde 1989. Historiadores e cientistas políticos apontam que o último presidente eleito no país sem vencer em território mineiro foi Getúlio Vargas, na eleição de 1950.

A explicação para esse alinhamento reside na diversidade demográfica e socioeconômica mineira, que funciona como uma verdadeira miniatura do mapa brasileiro. O Norte e os Vales do Jequitinhonha e Mucuri costumam apresentar comportamentos eleitorais semelhantes aos do Nordeste, ao passo que o Sul de Minas e o Triângulo Mineiro exibem traços conservadores e forte ligação com o agronegócio.

Além disso, a Região Metropolitana de Belo Horizonte concentra o peso expressivo do eleitorado urbano e industrial. Essa pluralidade interna permite que o segundo maior colégio eleitoral do país funcione como um termômetro confiável dos humores políticos da população brasileira.

Fontes consultadas

Leia também