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Economia

Mineração global enfrenta desafios estratégicos rumo a 2050

Especialistas apontam que a expansão da demanda por minerais críticos exige novas abordagens tecnológicas e regulatórias para equilibrar suprimento e sustentabilidade.

Por 2 min de leitura

Mineração global enfrenta desafios estratégicos rumo a 2050
Mineração global enfrenta desafios estratégicos rumo a 2050

A mineração mundial atravessa um momento de profunda transformação impulsionada pelo descompasso entre a urgência da transição energética e a lentidão dos ciclos de investimento. Enquanto o prazo médio entre a descoberta de um jazimento e o início da lavra comercial saltou para cerca de dezoito anos, a demanda por minerais críticos cresce de forma acelerada devido à eletrificação, expansão de data centers e inteligência artificial.

Especialistas destacam que a demanda global por cobre pode registrar um aumento de aproximadamente 50% até 2040, enquanto a procura por lítio deve disparar. Contudo, a oferta esbarra em restrições estruturais severas, como a queda no teor médio dos minérios e o encarecimento de depósitos que se tornam cada vez mais profundos e geograficamente complexos.

Para projetar o futuro do setor até 2050, estudos recentes estabelecem cenários que variam desde a fragmentação geopolítica e flexibilização de salvaguardas até modelos focados em máxima eficiência, rastreabilidade rigorosa e inovação tecnológica disruptiva, como a inteligência artificial na exploração e a eletrificação de frotas.

Especialistas ressaltam que, independentemente do cenário adotado, a atividade mineradora continuará sendo indispensável. A principal discussão, portanto, não reside em evitar novas extrações, mas em definir o volume adequado, otimizar a localização de forma a preservar biomas sensíveis e aprimorar os métodos operacionais por meio de técnicas de precisão e reaproveitamento de rejeitos.

No cenário nacional, o Brasil detém vantagens comparativas expressivas devido às suas reservas de minerais estratégicos como cobre, níquel, lítio e terras raras, além de contar com uma matriz elétrica majoritariamente limpa. No entanto, o debate sobre a soberania mineral e a participação de capital estrangeiro, como o avanço de empresas chinesas no setor, reacende a discussão sobre a necessidade de adensar as cadeias de transformação produtiva em território nacional.

A sanção recente do Marco Legal dos Minerais Críticos busca justamente fortalecer a proteção da soberania e estimular a instalação de indústrias de transformação no país. Com isso, o governo e o setor produtivo pretendem garantir que os recursos extraídos sejam processados internamente, gerando maior valor agregado e consolidando a posição do Brasil como líder em mineração responsável.

No mercado financeiro, a relevância do setor também se reflete na atração de investimentos. BDRs de mineradoras figuram entre os ativos mais negociados na bolsa brasileira, evidenciando o interesse contínuo dos investidores pelas perspectivas de longo prazo e pela reconfiguração global das cadeias de suprimento de commodities metálicas.

Fontes consultadas

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