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Clima

ONU alerta que aquecimento global pode atingir 2,8°C neste século

Novo relatório aponta que o limite de 1,5°C foi ultrapassado devido à inércia climática, mas destaca que o cenário ainda pode ser revertido.

Por 3 min de leitura

ONU alerta que aquecimento global pode atingir 2,8°C neste século
ONU alerta que aquecimento global pode atingir 2,8°C neste século

O mundo não conseguirá evitar que o aquecimento global ultrapasse o limite de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, patamar considerado essencial para conter os impactos mais severos das mudanças climáticas. A constatação faz parte do Relatório sobre a Lacuna de Emissões divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que aponta que as políticas em vigor atualmente podem levar o planeta a um aumento de 2,8°C na temperatura média até o final deste século.

Mesmo que todas as nações cumpram integralmente as promessas climáticas assumidas internacionalmente, a projeção indica que a temperatura global ainda subiria 2,6°C até 2100. Décadas de ações insuficientes tornaram inevitável a ultrapassagem da meta principal estabelecida pelo Acordo de Paris em 2015, exigindo agora esforços urgentes para minimizar a magnitude e a duração desse excesso térmico.

Apesar do cenário desfavorável, a ONU reforça que a situação não representa uma rendição definitiva. Com a adoção de medidas rigorosas e cortes drásticos na emissão de gases de efeito estufa, o aquecimento poderia atingir um pico entre 1,7°C e 1,8°C por volta de 2050, seguido por uma diminuição gradual que permitiria retornar ao patamar de 1,5°C até 2100. O secretário-geral da organização destacou que ultrapassar o limite não significa desistir dos objetivos climáticos globais.

Para viabilizar o retorno à meta ambiciosa, o documento detalha que as emissões globais precisariam ser reduzidas em 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, tendo como referência os volumes registrados em 2025. Em contrapartida, o cumprimento apenas das atuais metas nacionais geraria cortes modestos de até 8% na próxima década, evidenciando uma lacuna expressiva entre os compromissos firmados e as ações práticas necessárias.

O relatório aponta ainda que as emissões globais permaneceram estagnadas em 58,4 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2025, sem apresentar uma queda sustentada. A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e revisões em cálculos de emissões históricas também contribuíram para piorar as projeções em comparação com o ano anterior, enquanto grandes economias enfrentam dificuldades para alinhar suas políticas internas às metas prometidas.

Especialistas alertam que cada fração adicional de grau e cada ano mantido acima de 1,5°C aumentam drasticamente os riscos de eventos climáticos extremos, como ondas de calor intensas, secas prolongadas, inundações e alterações irreversíveis em ecossistemas e calotas polares. A transição energética acelerada, o combate ao desmatamento e o fortalecimento de mercados de carbono são apontados como caminhos fundamentais para evitar consequências ainda mais desastrosas para a saúde humana e para a economia global.

Fontes consultadas

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