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Brasil

Operação da Polícia Federal investiga conexões entre cartel no Rio e PCC

Ação policial aponta lavagem de dinheiro e uso de fintechs em esquema de infiltração da facção criminosa no setor de combustíveis.

Por 3 min de leitura

Operação da Polícia Federal investiga conexões entre cartel no Rio e PCC
Operação da Polícia Federal investiga conexões entre cartel no Rio e PCC

A Polícia Federal deflagrou a oitava etapa da Operação Unha e Carne no estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de desarticular um grupo suspeito de formar um cartel de postos de combustíveis e praticar lavagem de dinheiro. As investigações revelaram conexões diretas com os desdobramentos da Operação Carbono Oculto, apuração que mapeia a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em setores formais da economia brasileira.

De acordo com o relatório da Polícia Federal, as organizações criminosas optam pelo segmento de combustíveis devido à alta liquidez, ao intenso fluxo de dinheiro em espécie e à facilidade para simular faturamento e mesclar receitas de origem lícita e ilícita. A conexão entre os esquemas do Rio de Janeiro e de São Paulo emergiu a partir da empresa ADM OIL Prestadora de Serviços.

Constituída com um capital social de apenas R$ 10 mil, a ADM OIL movimentou cerca de R$ 45 milhões. A corporação policial apontou que a companhia funcionava como uma câmara de compensação, recolhendo recursos financeiros dos postos investigados e distribuindo os valores para pessoas físicas e jurídicas associadas à facção criminosa.

O documento da Polícia Federal destaca a atuação de uma funcionária contratada como auxiliar de escritório em 2020, com salário modesto de R$ 2 mil. Apontada como operadora de campo do esquema, ela teria realizado R$ 169,4 milhões em depósitos no sistema financeiro, direcionando os recursos para a rede de postos e distribuidoras.

Entre os destinatários dos repasses milionários está a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda, empresa que já havia sido alvo da Operação Carbono Oculto em São Paulo por suspeita de envolvimento com a lavagem de dinheiro do PCC. A quebra de sigilo bancário também indicou transferências mensais de R$ 70 mil para uma consultoria pertencente a um delegado e ex-secretário de Polícia Civil e sua esposa, totalizando mais de R$ 1,8 milhão.

O avanço das apurações indicou ainda a utilização de uma instituição de pagamento, conhecida como BK Bank, como ponto central na engenharia financeira da facção. A fintech operava por meio de contas bolsão, método que concentrava valores de diversos clientes em uma única conta para dificultar o rastreamento e burlar os mecanismos de controle contra a lavagem de dinheiro.

Segundo os investigadores, a instituição financeira movimentou montantes expressivos associados a empresas ligadas ao grupo criminoso, registrando bilhões em créditos e débitos com transações consideradas atípicas. Até o momento, as defesas dos investigados e as empresas citadas não se pronunciaram sobre as denúncias apontadas pelas autoridades policiais.

Fontes consultadas

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