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Brasil

Passarela das Cataratas do Iguaçu resiste a grandes enchentes

Construída em 1992 após o Rio Iguaçu destruir a estrutura anterior, obra exigiu técnicas complexas de engenharia e monitoramento constante.

Por 3 min de leitura

Passarela das Cataratas do Iguaçu resiste a grandes enchentes
Passarela das Cataratas do Iguaçu resiste a grandes enchentes

A passarela das Cataratas do Iguaçu, localizada em Foz do Iguaçu, no Paraná, tornou-se um marco de engenharia desde a sua construção, iniciada em 1992. Projetada para substituir uma travessia mais antiga inaugurada em 1970 e destruída por uma enchente na década de 1980, a estrutura atual foi testada ao longo das décadas e demonstrou alta resistência, chegando a suportar uma vazão recorde de 46 milhões de litros de água por segundo em 2014.

O principal desafio para erguer o caminho que conduz os turistas até as quedas d'água foi a força implacável do Rio Iguaçu. Para viabilizar a obra, as equipes de engenharia precisaram inicialmente desviar o leito do rio. Contudo, a primeira tentativa, realizada nas proximidades das quedas, falhou quando uma enchente arrastou parte da estrutura de contenção e equipamentos dos trabalhadores.

Diante do revés, a estratégia foi alterada e um novo desvio foi construído a alguns quilômetros de distância do local principal. Com o trecho temporariamente seco, uma equipe composta por 20 a 30 profissionais conseguiu perfurar a rocha submersa e aplicar as fundações necessárias para sustentar a nova passarela de forma definitiva.

A estabilidade da obra é garantida pelo uso da técnica conhecida como estaca-raiz. Conforme explica Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da empresa responsável pelas fundações, o processo consiste em perfurar a rocha, introduzir estruturas de aço e injetar cimento sob pressão, criando um embutimento sólido. Esse sistema permite que os pilares absorvam não apenas o peso dos visitantes e da própria estrutura, mas também o enorme esforço provocado pela forte correnteza.

Apesar de troncos e galhos trazidos pela água representarem riscos adicionais, a pressão constante exercida pelo fluxo do rio exige mais das fundações. Para assegurar que a passarela permaneça segura ao longo do tempo, a concessionária Urbia+Cataratas realiza um monitoramento contínuo da estrutura com o auxílio de pequenos equipamentos chamados prismas topográficos.

André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária, aponta que medições anuais comparam a posição atual dos pilares com registros anteriores. Segundo os dados levantados, nenhuma alteração ou deslocamento milimétrico foi detectado desde que a empresa assumiu o acompanhamento técnico da área turística.

Em períodos de cheias elevadas, a reabertura do acesso ao público passa por protocolos rígidos. A travessia só é liberada após uma vistoria detalhada de um engenheiro estrutural com emissão de laudo técnico, a reinstalação gradual das grades de proteção metálicas — que são retiradas preventivamente —, e quando a vazão do rio diminui para patamares inferiores a 8 milhões de litros por segundo.

Fontes consultadas

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