Pesquisadores propõem questionários para monitorar segurança de medicamentos
Estudo aponta que a escuta ativa de crianças e adolescentes durante tratamentos pode melhorar a farmacovigilância pediátrica.
Uma equipa de investigadores de várias faculdades do país, dedicada ao estudo da farmacovigilância, concluiu que a aplicação de questionários para saber como crianças e adolescentes se sentem durante um tratamento pode melhorar significativamente a segurança dos medicamentos. O estudo busca preencher lacunas nos sistemas tradicionais, que costumam registrar poucas notificações de reações adversas em pacientes pediátricos.
Em declarações à imprensa, Renato Ferreira da Silva, investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, destacou as vantagens da monitorização ativa em cenários de maior risco. Entre os exemplos citados estão pacientes submetidos a quimioterapia, terapias imunossupressoras, uso de medicamentos sem indicação terapêutica aprovada para determinada condição ou substâncias com toxicidade elevada.
A proposta central do trabalho é a utilização de instrumentos de reporte conhecidos como PROM, sigla em inglês para Resultados Reportados pelos Pacientes. A ferramenta serve para complementar as notificações espontâneas tradicionais, permitindo captar de maneira padronizada a frequência, a gravidade e o impacto funcional dos sintomas nas atividades diárias, como dormir, comer, brincar ou ir à escola.
O pesquisador ressalta que o foco principal é a coleta estruturada de sintomas e suspeitas de reações adversas. O valor desses instrumentos reside na possibilidade de aplicá-los em diferentes momentos da jornada terapêutica, avaliando as mesmas dimensões de forma contínua e comparável ao longo do tempo.
A equipe multidisciplinar, que integra cientistas do Porto, Coimbra e Lisboa — incluindo nomes como Inês Ribeiro, Pedro Teodoro e Ricardo Fernandes —, avalia que a metodologia é especialmente útil em momentos de alteração de tratamento, como ajustes de dosagem, suspensões ou reintroduções de fármacos. Isso ajuda a identificar rapidamente se os sintomas surgem ou se agravam.
Os questionários validados podem ser respondidos diretamente pela criança, quando esta tiver idade e capacidade para tal, ou por familiares e cuidadores. Os autores reconhecem que a abordagem exige novos recursos e fluxos de trabalho, mas apontam iniciativas como o projeto VIGIA, financiado pelo Portugal 2030, como exemplos de modernização na monitorização de segurança em saúde.
Fontes consultadas
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