Plataforma Twitch é citada em pesquisas sobre conteúdos da 'manosfera'
Estudos apontam que comunidades online voltadas à supremacia masculina utilizam plataformas digitais, incluindo a Twitch, para recrutar novos membros e disseminar conceitos misóginos.
Pesquisas recentes sobre a chamada 'manosfera' — uma rede de fóruns e sites unidos por crenças de supremacia masculina — destacam a presença dessas comunidades em diversas plataformas de mídia social e streaming, incluindo a Twitch, YouTube, TikTok e Reddit. O fenômeno tem chamado a atenção de especialistas e defensores da prevenção à violência devido ao impacto que o conteúdo digital exerce no mundo real.
Um levantamento recente que revisou dezenas de estudos sobre o tema identificou dezenas de comunidades de cunho misógino operando em plataformas digitais. De acordo com os pesquisadores, esses espaços frequentemente utilizam debates sobre violência sexual e o questionamento de direitos conquistados por movimentos feministas para recrutar e doutrinar novos participantes, apresentando os homens como supostas vítimas de uma suposta conspiração cultural.
A discussão sobre o tom e a moderação de conteúdos nessas redes também envolve figuras de destaque no ambiente de streaming. O streamer Hasan Piker, conhecido em plataformas como a Twitch, defendeu recentemente o uso de termos severos contra opositores políticos e ideológicos, como 'endogâmico' ou 'porco sionista', em entrevista concedida à rádio pública estadunidense NPR.
Questionado sobre o uso de linguagem considerada desumanizante, Piker afirmou que adota uma postura rigorosa contra oponentes que apoiam ideologias que considera prejudiciais, como o supremacismo étnico e o neonazismo. Segundo o criador de conteúdo, os adjetivos são empregados como pejorativos contra sistemas de crenças reacionários e não devem ser interpretados como ataques baseados estritamente na origem pessoal dos alvos.
As declarações do streamer geraram reações severas de organizações como o Conselho Israelense-Americano (IAC), que condenou publicamente os termos utilizados e relembrou os perigos históricos da desumanização e do antissemitismo. O histórico de Piker na Twitch também inclui suspensões temporárias anteriores decorrentes do uso de termos polêmicos em suas transmissões ao vivo.
Especialistas em segurança online e profissionais que atuam no apoio a vítimas de violência apontam que a popularização de discursos de ódio e de conceitos distorcidos sobre consentimento na internet dificulta o trabalho de conscientização. Segundo relatos de especialistas, a exposição constante a esse tipo de material nas redes sociais alimenta estereótipos prejudiciais e afeta diretamente a confiança das vítimas na busca por justiça e amparo institucional.
Enquanto governos de diferentes países buscam implementar novas legislações e diretrizes para obrigar empresas de tecnologia a combater a propagação de conteúdos nocivos e a transparência de algoritmos de recomendação, o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a responsabilidade das plataformas de streaming e redes sociais permanece em evidência.
Fontes consultadas
- E.l.f. Cosmetics returns to metaverse on avatar-based gaming platform finance.yahoo.com
- Hasan Piker defends using incendiary terms like 'inbred' or 'Zionist pig' against opponents foxnews.com
- Phillies president Dave Dombrowski sends ‘mandatory’ warning to $300 million star Trea Turner sports.yahoo.com
- Sexual violence concepts launched online are spilling into the real world – harming women and young men and overwhelming counselors yahoo.com