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Saúde

Polícia Civil de SP investiga morte de bebês em hospital na Mooca

Investigação apura se óbitos decorreram de infecções hospitalares em unidade da rede Hapvida na zona leste da capital paulista.

Por 3 min de leitura

Polícia Civil de SP investiga morte de bebês em hospital na Mooca
Polícia Civil de SP investiga morte de bebês em hospital na Mooca

A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito policial para apurar as circunstâncias e as causas da morte de bebês que passaram pelo Hospital e Maternidade Salvalus, localizado no bairro da Mooca, na zona leste da capital paulista. Os casos sob investigação ocorreram ao longo deste ano e levantam suspeitas de contaminação por infecções adquiridas no ambiente hospitalar, com registros de óbitos associados a sepse, choque séptico e outras complicações.

Inicialmente, o 8º Distrito Policial (Brás) abriu apuração formal sobre seis casos específicos. No entanto, a advogada Eduarda Fragnan Gomes, que representa familiares das vítimas, relatou ter entrado em contato com 36 mães que perderam seus filhos na unidade médica nos últimos meses. Como o Salvalus atua como referência dentro da rede Hapvida, a defensora aponta que o volume total de óbitos pode ser ainda mais expressivo.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou que os casos foram comunicados à polícia. Segundo a pasta estadual, a autoridade policial realiza diligências que incluem a oitiva de profissionais de saúde e de testemunhas, além da análise integral dos prontuários médicos para esclarecer o que motivou as mortes.

Entre os relatos que integram as investigações está o de Alice Vitória de Andrade Reis, que faleceu em abril deste ano aos 12 meses de idade. A criança, que possuía condições graves como a síndrome de Dandy-Walker, hidrocefalia e cardiopatia congênita, foi internada para a troca de uma sonda de alimentação e acabou desenvolvendo uma infecção bacteriana no sistema nervoso central. A certidão de óbito aponta insuficiência respiratória aguda, ventriculite infecciosa e sepse de foco pulmonar.

Outros casos com contornos dramáticos também foram registrados por famílias na delegacia. Em julho, Gael França da Silva morreu aos 7 meses de idade após um quadro de inflamação na garganta que evoluiu para internação na UTI, intubação, necrose no pé devido a dificuldades de acesso venoso e, posteriormente, pneumonia e choque séptico. Já Guilherme Ferreira Miranda faleceu em maio, aos dois meses, após apresentar icterícia, passar por cirurgia e sofrer paradas cardiorrespiratórias em meio a relatos de falhas na administração de medicamentos e sangramentos intensos.

As famílias e os representantes legais apontam suspeitas de negligência médica, omissão de socorro e contaminação cruzada por bactérias resistentes, exigindo total transparência e rigor nas apurações sobre os protocolos de higiene e controle de infecção adotados na instituição.

Em nota oficial, a rede Hapvida informou que os pacientes atendidos apresentavam quadros clínicos distintos e de elevada gravidade. A empresa destacou que as crianças receberam assistência contínua e multidisciplinar com suporte de alta complexidade, que as condutas terapêuticas foram individualizadas conforme a evolução médica e que a instituição mantém um canal de diálogo aberto com os familiares, preservando o sigilo profissional.

Fontes consultadas

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