Prédio histórico é destruído durante protestos violentos na França
Edifício do século XIX que havia resistido a duas guerras mundiais foi incendiado por manifestantes em Limoges durante atos contra o alto custo de vida.
Uma onda de protestos contra o alto custo de vida e por melhorias na educação resultou em destruição generalizada e confronto com as forças de segurança em diversas cidades da França. O episódio mais marcante ocorreu em Limoges, na região centro-oeste do país, onde a sede da prefeitura, um edifício inaugurado no século XIX que havia sobrevivido a duas guerras mundiais, foi severamente danificado por um incêndio durante as manifestações.
O prédio histórico, tombado pelo patrimônio e construído em estilo neorrenascentista, foi invadido por um grupo mascarado após a quebra de janelas e o uso de um aríete na porta principal. As chamas provocaram o desabamento do telhado sobre os andares inferiores e destruíram a torre central do relógio, que contava com 43 metros de altura. O representante do governo nacional na região, Maurice Barate, classificou o ocorrido como uma verdadeira catástrofe patrimonial.
O prefeito de Limoges, Guillaume Guerin, relatou que a polícia local foi rapidamente superada pela multidão e criticou a falta de efetivo para proteger o patrimônio público, visto que os agentes haviam sido deslocados para conter os distúrbios nas ruas. Diante da destruição, Guerin ameaçou renunciar ao cargo caso a cidade não receba um milhão de euros, equivalente a cerca de R$ 5,69 milhões, para viabilizar a reparação do edifício público.
O balanço oficial divulgado pelas autoridades apontou que os atos, que reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas em todo o território nacional, terminaram com mais de 1.800 pessoas detidas e dezenas de policiais feridos. A mobilização envolveu estudantes, trabalhadores e integrantes do movimento dos coletes amarelos, que protestam contra a inflação, a precariedade dos serviços públicos e as políticas econômicas do governo.
Além do prédio da prefeitura em Limoges, outras cidades francesas registraram episódios graves de vandalismo e confrontos. Em Lyon, um escritório de turismo foi incendiado e saqueado na Place Bellecour, enquanto pessoas hostis impediram a atuação segura dos bombeiros. Em Paris, onde a polícia registrou centenas de prisões, vias públicas foram bloqueadas com barricadas carbonizadas, vitrines foram destruídas e veículos incendiados.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma célula de crise e cobrou um posicionamento político da oposição, em especial do partido França Insubmissa, afirmando que a sociedade precisa escolher entre apoiar as leis e as forças de segurança ou os depredadores. O presidente Emmanuel Macron também se manifestou sobre os episódios de violência extrema, garantindo que os responsáveis por ataques a edifícios públicos e comércios serão devidamente processados e punidos.
A onda de distúrbios ocorre em um momento de forte desgaste social e pressão sobre a administração de Macron, que enfrenta o desafio de aprovar no Parlamento um rigoroso ajuste fiscal para sanear as contas públicas. Manifestações com pautas semelhantes relacionadas ao encarecimento da vida e aos preços de moradia também foram registradas no mesmo dia em outros países europeus, como Portugal, Espanha, Itália e Bélgica.
Fontes consultadas
- Prédio que sobreviveu a duas guerras é destruído em protesto na França | Mundo e Ciência | O Dia odia.ig.com.br
- Torre do século XIX é incendiada durante protestos na França gazetadopovo.com.br
- Protestos na França terminam com mais de 1 mil presos | G1 g1.globo.com
- Manifestantes franceses incendeiam prédio de turismo em Lyon durante protestos contra alto custo de vida oglobo.globo.com