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Quem comanda a Igreja Católica durante a recuperação do papa Leão XIV?

Internado após cirurgia para a retirada de um tumor no pulmão, o pontífice mantém sua autoridade e a engrenagem administrativa do Vaticano continua funcionando.

Por 3 min de leitura

Quem comanda a Igreja Católica durante a recuperação do papa Leão XIV?
Quem comanda a Igreja Católica durante a recuperação do papa Leão XIV?

O papa Leão XIV, de 71 anos, segue em processo de recuperação no décimo andar do Hospital Policlínico Gemelli, em Roma, após passar por uma cirurgia para a remoção de um nódulo maligno no pulmão direito na última terça-feira. Diante da internação do pontífice, que teve seus compromissos públicos cancelados até o dia 20 de outubro, surge o questionamento sobre quem assume o comando da Igreja Católica durante o período em que ele estiver hospitalizado.

Segundo especialistas e normas eclesiásticas, a liderança da Igreja Católica não é transferida durante internações ou momentos de incapacidade temporária, pois não existem regras específicas para afastar o papa nestes casos. O pontífice mantém integralmente sua autoridade e o poder de decisão, mesmo durante a recuperação cirúrgica ou em situações de inconsciência, embora documentos e assuntos que exijam diretamente sua assinatura precisem aguardar seu retorno.

A estrutura administrativa da Santa Sé opera com o apoio de equipes próprias e de oficiais do alto escalão que garantem a continuidade dos trabalhos cotidianos. Especialistas apontam que a máquina do Estado do Vaticano não paralisa e o papa é mantido informado pelos funcionários de sua administração durante o tratamento.

A cirurgia realizada em Leão XIV durou cerca de 90 minutos e envolveu a extirpação de todo o lobo inferior do pulmão direito por meio de técnica videoassistida para assegurar a radicalidade do procedimento. O exame histológico confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, um subtipo comum de câncer de pulmão que se origina nas células glandulares.

Nesta quinta-feira, os médicos pessoais do pontífice, Luigi Carbone, e o chefe de cirurgia torácica do hospital Gemelli, Stefano Margaritora, divulgaram que uma nova radiografia do tórax revelou uma boa recuperação do pulmão operado. Os exames pós-operatórios mantiveram-se dentro da normalidade e o papa já retomou algumas atividades laborais do hospital, além de celebrar missas em uma capela improvisada.

Apesar da internação e das dúvidas iniciais levantadas sobre o impacto no cronograma, o Vaticano informou que a recuperação transcorre conforme o previsto e deve durar aproximadamente uma semana. Contudo, o futuro de viagens internacionais planejadas, como a visita pastoral ao Peru, Argentina e Uruguai prevista para novembro, ainda depende da evolução clínica do Santo Padre.

Questões ligadas à saúde de pontífices e a eventuais impedimentos prolongados historicamente encontram respaldo em disposições preventivas. Antecessores como Paulo VI e Francisco deixaram cartas de renúncia assinadas de forma preventiva para o caso de incapacidade médica grave, enquanto o Código de Direito Canônico estabelece no cânon 332 que a renúncia papal por motivos de saúde é um ato voluntário que dispensa a aprovação de cardeais, mas difere legalmente de um cenário de incapacidade temporária.

Fontes consultadas

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