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Clima

Super El Niño eleva temperaturas globais e ameaça infraestrutura

Fenômeno climático extremo provoca erosão costeira nos Estados Unidos e pode influenciar o mercado de energia na Ásia e na Europa.

Por 3 min de leitura

Super El Niño eleva temperaturas globais e ameaça infraestrutura
Super El Niño eleva temperaturas globais e ameaça infraestrutura

O fenômeno climático conhecido como Super El Niño tem provocado impactos significativos em várias regiões do planeta, elevando as temperaturas dos oceanos a patamares recordes e gerando preocupações em áreas como infraestrutura costeira, agricultura e economia global. Cientistas e agências de monitoramento climático apontam que o padrão atual apresenta intensidades excepcionais, superando marcas registradas em eventos anteriores, como o ocorrido em 2015, mesmo antes de atingir seu pico previsto para dezembro.

Na costa da Califórnia, nos Estados Unidos, os efeitos já causam danos visíveis e ameaçam vias importantes. Imagens aéreas recentes revelaram uma fratura profunda em uma encosta próxima à rodovia Pacific Coast Highway, entre Laguna Beach e Newport Beach, levantando riscos de desabamentos. O surfista local Blair Conklin relatou que a erosão e a maré alta têm comprometido a estabilidade do trecho, o que levou autoridades locais a fecharem parcialmente uma faixa da estrada para trabalhos emergenciais e a evacuarem chalés históricos na região de Crystal Cove.

Pesquisadores explicam que o aquecimento atual é impulsionado tanto pelo ciclo natural do El Niño quanto pelo aquecimento global dos oceanos, o que levou cientistas a adotarem novos índices para comparar os registros atuais com o passado. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e o serviço climático da União Europeia indicam que o excesso de calor liberado para a atmosfera tem grandes chances de fazer de 2026 o ano mais quente da história, com reflexos que devem persistir até o ano seguinte.

Enquanto os litorais enfrentam tempestades e ressacas severas intensificadas por ondas de calor no Pacífico e no Golfo do México, outras regiões podem encontrar alívio em setores econômicos e energéticos. Modelos meteorológicos indicam que o inverno no leste asiático — incluindo Coreia do Sul, Japão e partes da China — poderá ser mais ameno, o que tem potencial para reduzir a demanda por gás natural liquefeito e aliviar a pressão sobre os estoques europeus, que registram níveis abaixo da média histórica em meio a conflitos no Oriente Médio.

No setor de comércio varejista, o impacto do El Niño também gera incertezas. Comerciantes de calçados nos Estados Unidos relatam que ajustaram seus estoques diante da imprevisibilidade do clima, divididos entre a cautela com a economia e a necessidade de se prepararem para invernos mais chuvosos ou secos, dependendo da região onde operam.

Especialistas em clima alertam que, embora o fenômeno traga algum alívio nos custos de aquecimento para certos países importadores de energia, os riscos de eventos extremos, secas prolongadas e inundações em áreas vulneráveis continuam exigindo monitoramento rigoroso por parte de governos e comunidades internacionais.

Fontes consultadas

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